Mercado de carbono pode criar nova fonte de valor para o agro — e colocar Fiagros no radar?
O agro brasileiro poderá gerar até 314,3 milhões de créditos de carbono entre 2025 e 2035, criando um mercado potencial de até R$ 3,5 bilhões com negociações internacionais, segundo estudo divulgado pela Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG).
A estimativa coloca a atividade agropecuária no centro de uma frente que combina descarbonização, geração de receitas e atração de capital.
O levantamento trabalha com três cenários para a geração de créditos no período. No cenário conservador, seriam 25,6 milhões de créditos; no intermediário, 230 milhões; e, no cenário integral, que considera também projetos atualmente em desenvolvimento, o potencial chega aos 314,3 milhões de créditos.
A oportunidade do agro está relacionada principalmente à capacidade do campo de reduzir emissões e, ao mesmo tempo, capturar carbono. Segundo os pesquisadores, embora a agropecuária responda por 30,5% das emissões nacionais de gases de efeito estufa, o setor também concentra elevado potencial para adoção de práticas capazes de reduzir sua pegada ambiental.
Entre as iniciativas apontadas estão o manejo aprimorado de terras agrícolas, tratamento de dejetos animais, redução do metano entérico e utilização de biochar como fertilizante. Além do benefício ambiental, essas práticas podem criar novas fontes de receita e contribuir para a valorização de propriedades e atividades rurais.
É nesse contexto que os Fiagros, como o SNFZ11 e o SNAG11, entram no radar. Embora o estudo não indique que os dois fundos já tenham receitas provenientes de créditos de carbono, a expansão desse mercado pode criar oportunidades adicionais para produtores e empresas da cadeia agropecuária que fazem parte do universo de ativos financiados pelo setor.
Créditos de carbono podem abrir nova frente de valor para o agro
Para o SNFZ11, a discussão ganha relevância especialmente pela exposição do fundo ao agronegócio e a propriedades rurais. A possibilidade de monetização de práticas de preservação, recuperação de solo e redução de emissões pode, em tese, adicionar uma nova camada de valor aos ativos rurais, além da produção agrícola tradicional.
No caso do SNAG11, a relação aparece principalmente pelo financiamento da cadeia do agronegócio. O fundo possui exposição a instrumentos de crédito ligados ao setor e, segundo relatório de maio, mantinha ativos como CRA Boa Safra e operações relacionadas à irrigação.
A evolução do mercado de carbono pode, portanto, beneficiar não apenas produtores diretamente envolvidos em projetos ambientais, mas também empresas que desenvolvam tecnologias, infraestrutura e soluções para tornar a produção agropecuária mais eficiente e menos intensiva em emissões.
O potencial estimado pelo estudo ainda depende, contudo, da evolução da regulamentação e da criação de condições para que os créditos gerados pelo setor possam ser efetivamente negociados nos mercados doméstico e internacional.
Na prática, quanto maior a capacidade de transformar ganhos ambientais em ativos comercializáveis, maior pode ser o incentivo econômico para produtores adotarem práticas de baixo carbono — criando uma possível fonte adicional de geração de valor dentro da cadeia financiada pelos Fiagros.
Mercado ainda depende de regulamentação para destravar potencial
O estudo da ABAG ressalta justamente que a concretização desse mercado depende do avanço da regulamentação necessária para permitir as negociações. O cenário integral, de 314,3 milhões de créditos, considera inclusive projetos que ainda estão em desenvolvimento.
A maior parte desse potencial está concentrada em iniciativas de manejo aprimorado de terras agrícolas, enquanto uma parcela menor está associada à recuperação de metano em sistemas de tratamento de dejetos animais.
Para os investidores de Fiagros, a discussão amplia a análise tradicional sobre o desempenho do agronegócio. Além de fatores como preços de commodities, produtividade, clima e crédito rural, a capacidade de gerar receitas ambientais pode se tornar gradualmente mais relevante na avaliação de propriedades e empresas do setor.