SNEL11 sobe 0,24% enquanto Google e Meta ampliam corrida por data centers
O fundo imobiliário SNEL11 (Suno Energias Limpas) encerrou o pregão desta terça-feira (14) em alta de 0,24%, cotado a R$ 8,44. Ao longo da sessão, o fundo movimentou cerca de R$ 4,11 milhões em volume financeiro, em um dia de leve valorização do mercado de fundos imobiliários.
O desempenho ocorre em um momento em que a demanda global por energia renovável volta ao centro das atenções, impulsionada pelos investimentos das grandes empresas de tecnologia em infraestrutura para inteligência artificial.
Nos últimos dias, duas das maiores companhias do setor anunciaram novos projetos que reforçam essa tendência. O Google firmou um contrato para comprar toda a produção de um futuro parque solar no estado americano do Arkansas, cuja operação está prevista para começar em 2029.
Pelo acordo, a companhia adquirirá integralmente a energia produzida pelo empreendimento por meio de um contrato de longo prazo, estratégia que faz parte da política da empresa para reduzir suas emissões e ampliar o consumo de eletricidade proveniente de fontes renováveis.
Já a Meta confirmou a construção de seu primeiro data center no Canadá, projeto voltado ao processamento de aplicações de inteligência artificial que contará com 1 GW de capacidade elétrica e investimento superior a C$ 13 bilhões, o equivalente a aproximadamente R$ 47 bilhões.
Tese do SNEL11: data centers impulsionam demanda por energia limpa
O novo centro de dados da Meta será abastecido exclusivamente por energia renovável. Além disso, a companhia informou que financiará a expansão da infraestrutura elétrica necessária ao projeto, incluindo reforços na rede de transmissão e novos ativos de geração.
Outro diferencial será a adoção de um sistema de refrigeração em circuito fechado com resfriamento a seco, tecnologia que reduz significativamente o consumo de água durante a operação do complexo.
Os anúncios reforçam uma mudança estrutural no setor elétrico mundial. À medida que cresce a demanda por capacidade computacional para inteligência artificial, empresas de tecnologia passam a disputar contratos de fornecimento de energia limpa para garantir estabilidade no abastecimento e cumprir metas ambientais.
Embora o SNEL11 não possua exposição direta a data centers, o fundo está inserido justamente em um segmento que tende a ganhar espaço com esse cenário.
Neste ano, o veículo concluiu a aquisição de 20 usinas fotovoltaicas, adicionando 85,9 MWp de capacidade instalada ao portfólio, e atualmente conduz sua quinta emissão de cotas, que poderá captar até R$ 2,3 bilhões para financiar novos investimentos em geração renovável.
O avanço dos data centers, portanto, amplia a perspectiva de crescimento para ativos ligados à transição energética, principal foco da estratégia do fundo.
Oferta pode ampliar patrimônio para R$ 3,29 bi
De acordo com o prospecto da oferta, a operação tem potencial para elevar o patrimônio líquido do fundo de R$ 889,9 milhões para até R$ 3,29 bilhões. Essa projeção considera a colocação integral das cotas e o eventual exercício do lote adicional, conforme os termos da emissão.
A expansão também contempla um aumento relevante da capacidade instalada dos ativos, que pode passar de 149,4 MWp para 635,2 MWp. O número de projetos no portfólio pode avançar de 37 para 224 empreendimentos, com a incorporação de 187 novos projetos de geração solar, caso a oferta seja concluída nos parâmetros indicados.
As estimativas dependem da efetivação da oferta e não constituem garantia de desempenho futuro. A execução do pipeline e a alocação dos recursos seguirão o cronograma e as condições estabelecidas no prospecto, sujeito às etapas regulatórias e de mercado.