GGRC11 ou XPLG11: qual o melhor FII de logística de contratos atípicos?

GGRC11 ou XPLG11: qual o melhor FII de logística de contratos atípicos?
GGRC11 ou XPLG11: qual o melhor FII de logística de contratos atípicos? (Foto: Pexels/Marek Piwnicki)

Quem procura um fundo imobiliário de logística costuma se deparar com dois nomes recorrentes: GGRC11 (Zagros Renda Imobiliária) e XPLG11 (XP Log). Ambos investem em galpões logísticos e industriais e possuem uma parcela relevante de contratos atípicos — modalidade conhecida por oferecer maior previsibilidade de receitas ao longo do prazo contratual.

Apesar dessa semelhança, os dois FIIs apresentam características bastante diferentes em aspectos como tamanho do patrimônio, diversificação, liquidez, estratégia de gestão e perfil dos imóveis. Isso faz com que a comparação entre eles seja frequente entre investidores.

Mas existe, de fato, um fundo “melhor”?

A resposta depende dos objetivos, da tolerância ao risco e da estratégia de cada investidor. Por isso, mais importante do que buscar um vencedor é entender os pontos fortes e as particularidades de cada carteira.

Vale destacar que esta matéria tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento.

O que são contratos atípicos?

Antes da comparação, vale entender um dos principais pontos em comum entre os dois fundos. Nos contratos típicos de locação, o inquilino pode rescindir o contrato antes do prazo mediante pagamento de multa, normalmente limitada a alguns meses de aluguel.

Já nos contratos atípicos, muito utilizados em imóveis logísticos construídos sob medida (built to suit) ou em operações de sale and leaseback, as condições são diferentes. Caso haja rescisão antecipada, o locatário costuma ter de indenizar praticamente todo o saldo remanescente do contrato.

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Na prática, isso aumenta a previsibilidade das receitas para o fundo imobiliário, reduzindo o risco de vacância inesperada durante a vigência contratual. Isso não elimina riscos — como dificuldades financeiras do locatário ou renegociações —, mas costuma representar uma camada adicional de proteção para os cotistas.

GGRC1: imóveis industriais e expansão por aquisições

O GGRC11 (Zagros Renda Imobiliária) é administrado sob gestão ativa e construiu sua trajetória com foco em ativos industriais, centros de distribuição e imóveis logísticos ocupados por empresas de grande porte.

Nos últimos anos, o fundo ficou conhecido por crescer por meio de aquisições e incorporações de carteiras, ampliando significativamente seu patrimônio e número de imóveis.

Segundo dados públicos das plataformas especializadas, o GGRC11 possui patrimônio próximo de R$ 2,4 bilhões, liquidez diária superior a R$ 13 milhões, dividend yield acumulado de aproximadamente 12% nos últimos 12 meses e negociação abaixo do valor patrimonial (P/VP em torno de 0,90). A vacância física permanece bastante reduzida, próxima de zero.

Outro aspecto frequentemente destacado pelos investidores é a forte presença de contratos de longo prazo com empresas dos setores industrial, varejista e logístico.

Como a gestão é ativa, o fundo costuma realizar aquisições, vendas de ativos e reciclagem do portfólio sempre que identifica oportunidades consideradas estratégicas. Essa dinâmica pode gerar mudanças mais frequentes na carteira ao longo do tempo.

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XPLG11 prioriza escala e diversificação

O XPLG11 (XP Log) segue uma estratégia diferente. Com patrimônio superior a R$ 5 bilhões, está entre os maiores FIIs de logística da B3 e concentra sua atuação em grandes galpões logísticos espalhados por diferentes regiões do país.

O fundo possui ampla diversificação geográfica e de locatários, reduzindo a dependência de um único imóvel ou empresa para geração de receitas.

Dados das plataformas de acompanhamento mostram patrimônio líquido próximo de R$ 5,4 bilhões, liquidez diária acima de R$ 8 milhões, dividend yield em torno de 10,7% nos últimos 12 meses e negociação também abaixo do valor patrimonial, com P/VP próximo de 0,88.

A estratégia do XPLG11 costuma privilegiar imóveis logísticos modernos, localizados em eixos considerados estratégicos para distribuição de mercadorias. Além disso, o fundo possui exposição relevante a contratos de longo prazo, incluindo contratos atípicos, embora também mantenha contratos típicos em parte da carteira.

Onde estão as principais diferenças?

Embora pertençam ao mesmo segmento, GGRC11 e XPLG11 não são fundos idênticos.

O GGRC11 apresenta maior exposição a imóveis industriais e costuma adotar uma postura mais ativa na reciclagem do portfólio. Já o XPLG11 possui escala superior, maior diversificação entre imóveis e locatários e presença consolidada em grandes condomínios logísticos.

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Outra diferença está no perfil histórico de distribuição de rendimentos. Em determinados períodos, o GGRC11 apresentou dividend yield superior ao do XPLG11, enquanto este último tende a chamar atenção pelo tamanho da carteira e pela diversificação operacional.

Nenhuma dessas características, isoladamente, torna um fundo superior ao outro. Cada estratégia envolve vantagens, desafios e diferentes perfis de risco.

Comparação depende dos objetivos do investidor

Em vez de perguntar qual é o melhor FII de logística, muitos analistas defendem que a questão mais útil é entender qual fundo está mais alinhado aos objetivos de cada carteira.

Investidores podem avaliar fatores como diversificação, qualidade dos imóveis, concentração de locatários, perfil dos contratos, vacância, liquidez, histórico da gestão, nível de endividamento e capacidade de geração de renda recorrente antes de tomar qualquer decisão.

No fim, GGRC11 e XPLG11 representam duas das principais referências do segmento logístico da B3, mas seguem caminhos diferentes para buscar resultados aos cotistas.

Como toda comparação entre fundos imobiliários, a análise deve considerar múltiplos indicadores e o contexto de cada investidor. Esta matéria tem finalidade exclusivamente informativa e não representa recomendação de compra, venda ou manutenção de cotas de qualquer fundo imobiliário.

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foto: Marcelo Monteiro
Marcelo Monteiro

Formado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em 1996, Marcelo Monteiro tem três décadas de carreira como jornalista. No currículo, inclui passagens e colaborações em veículos como Zero Hora, Correio Braziliense, Valor Econômico, InfoMoney, Gazeta Mercantil, Placar, Diário Catarinense, Fut!, Hoje em Dia e Diário de S.Paulo. É autor dos livros "U-507 - O submarino que afundou o Brasil na Segunda Guerra Mundial" (2012) e "U-93 - A entrada do Brasil na Primeira Guerra Mundial" (2014). Dirigiu os documentários "Delírios - Filosofia e reflexão no túnel da morte" (2021) e "Além do Limite - Quando a meta é sobreviver" (2022)

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