Energia solar: custo das baterias pode cair 40% até 2035; quem ganha com isso?
O avanço das baterias pode mudar a conta da energia solar no Brasil nos próximos anos. Projeções da McKinsey & Company indicam que o custo da geração fotovoltaica combinada a sistemas de armazenamento pode cair de US$ 65 por megawatt-hora (MWh), em 2025, para US$ 39/MWh em 2035.
A diferença de US$ 26 por MWh representa uma redução de aproximadamente 40% no chamado Firm LCOE, métrica que considera o custo da energia solar associada à capacidade de armazenamento. A queda tende a melhorar a viabilidade econômica de projetos que hoje ainda enfrentam o alto preço das baterias como um dos principais obstáculos.
O barateamento pode ampliar o uso da tecnologia entre empresas e consumidores que buscam alternativas para controlar os gastos com eletricidade.
Com uma bateria instalada junto aos painéis solares, parte da energia produzida durante o dia pode ser guardada para utilização em outros horários.
Isso permite, por exemplo, reduzir a dependência da rede nos períodos de maior demanda. Para consumidores comerciais e industriais, a possibilidade de deslocar o uso da energia para horários mais caros pode tornar o investimento em armazenamento mais atrativo.
A tecnologia também ganha relevância em um momento de forte expansão da geração solar no país. Quanto maior a participação da fonte fotovoltaica, maior a necessidade de soluções capazes de lidar com a concentração da produção durante determinados períodos do dia.
Baterias podem ampliar o aproveitamento da energia solar
O armazenamento funciona como uma espécie de ponte entre o momento em que a energia é produzida e aquele em que ela efetivamente será consumida. Em uma instalação solar, o excedente gerado durante o dia pode ser direcionado para as baterias e utilizado posteriormente.
Além da gestão do consumo, essa capacidade pode aumentar a flexibilidade dos projetos e ajudar a lidar com situações em que a geração solar supera a capacidade de absorção do sistema elétrico. Esse problema, conhecido como curtailment, tem ganhado espaço à medida que a geração renovável cresce.
Outro possível uso está na segurança do fornecimento. Dependendo da configuração do sistema, as baterias podem manter determinados equipamentos funcionando durante interrupções da rede, adicionando uma função de backup à geração própria.
A queda projetada nos custos, portanto, pode ampliar o número de situações em que a combinação entre painéis e armazenamento passa a fazer sentido financeiramente. O impacto, porém, dependerá também de fatores como preço da energia, perfil de consumo, custo dos equipamentos e características regulatórias.
Para o SNEL11, a tendência é relevante principalmente pelo potencial de expansão do mercado de geração distribuída. O fundo não depende diretamente da comercialização de baterias, mas possui exposição a usinas fotovoltaicas e pode se beneficiar de um ambiente em que a energia solar ganhe novas aplicações.
SNEL11 aumenta escala no mercado fotovoltaico
A perspectiva de redução dos custos das baterias aparece enquanto o SNEL11 amplia sua presença no segmento. Depois de sua quinta emissão, o fundo levantou mais de R$ 1 bilhão, com foco na aquisição de usinas solares em operação e com histórico de geração.
O plano contempla até 250 MWp adicionais ao portfólio. Se todas as aquisições previstas forem incorporadas, a capacidade instalada do fundo poderá se aproximar de 400 MWp.
Em julho, o SNEL11 contava com 149,4 MWp distribuídos em 37 usinas. A carteira é formada por ativos de geração fotovoltaica e contratos de longo prazo, dando ao fundo exposição direta ao crescimento da geração distribuída.
É nesse ponto que a evolução das baterias pode criar uma conexão com a tese do fundo. Se o armazenamento se tornar economicamente mais acessível, consumidores terão mais alternativas para utilizar a energia gerada por sistemas fotovoltaicos, potencialmente ampliando a demanda por soluções de geração própria.
A relação, portanto, é indireta: baterias mais baratas não alteram necessariamente a operação das usinas do SNEL11, mas podem contribuir para ampliar o mercado consumidor da energia solar.
Queda de US$ 26 por MWh pode mudar a equação
O principal número da projeção da McKinsey é justamente a redução de US$ 65 para US$ 39/MWh no custo da energia solar firme com armazenamento. Uma queda dessa magnitude pode melhorar a relação entre o investimento necessário e o retorno esperado de novos projetos.
Para empresas com consumo elevado, a combinação de geração e armazenamento pode oferecer maior controle sobre o momento em que a eletricidade será utilizada. Isso adiciona uma dimensão que a geração solar isolada não consegue oferecer: a possibilidade de administrar também o horário do consumo.
O movimento ainda está sujeito à evolução dos preços dos equipamentos e às condições do mercado brasileiro. Mas, se a trajetória projetada se confirmar, o armazenamento poderá deixar de ser uma tecnologia complementar de nicho e ganhar espaço em projetos de maior escala.
Para o SNEL11, o avanço ocorre em um momento de expansão relevante do portfólio. O fundo encerrou julho com R$ 929,5 milhões de patrimônio líquido, 119.274 cotistas e 149,4 MWp de capacidade instalada.