Entenda como o fundo imobiliário CACR11 caiu 70,5% em maio

Entenda como o fundo imobiliário CACR11 caiu 70,5% em maio
Entenda como o fundo imobiliário CACR11 caiu 70,5% em maio. Foto: Pixabay

O fundo imobiliário CACR11 fechou maio com uma das maiores derrocadas recentes entre os FIIs listados na Bolsa.

A cota do fundo imobiliário, que havia encerrado abril a R$ 81,33, terminou o pregão de 29 de maio cotada a R$ 23,97, acumulando uma desvalorização de 70,53% no mês.

A queda concentrou uma sequência de eventos negativos para o FII CACR11. O primeiro choque veio logo no início de maio, quando o fundo informou que não faria a distribuição dos dividendos referentes ao resultado de abril, apesar de ter registrado resultado caixa de R$ 1,24 por cota no período.

A decisão provocou uma forte reação negativa do mercado. No primeiro pregão após o comunicado, em 4 de maio, as cotas do CACR11 despencaram 42,2%, saindo de R$ 81,33 para R$ 47,01. 

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A pressão continuou nos dias seguintes, levando o fundo a encerrar a semana de 8 de maio a R$ 32,70, com perda acumulada de 59,79% em apenas cinco pregões.

Segundo a gestão, a retenção dos recursos foi adotada para reforçar o caixa do fundo imobiliário CACR11, preservar garantias e dar suporte aos projetos financiados pela carteira. 

A Cartesia também citou um ambiente mais adverso para o setor imobiliário e de crédito, marcado por juros elevados, maior endividamento das famílias, aumento de custos e ritmo mais lento de vendas.

Além do cenário macroeconômico, a gestora apontou atrasos regulatórios e jurídicos em projetos na Bahia e em São Paulo, incluindo entraves na aprovação de projetos modificativos e na emissão de Habite-se na capital paulista. 

Esses fatores teriam postergado lançamentos e repasses de empreendimentos como Savoie, Viva, Real Parque e Station.

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Inadimplência do CRI Helvetia aumenta pressão sobre o CACR11

Depois da forte queda no começo do mês, o fundo CACR11 voltou a ser pressionado na reta final de maio. O novo fator de estresse foi a inadimplência envolvendo o CRI Helvetia, operação presente na carteira do FII.

A Bari Securitizadora informou que a Helvetia 5 Administradora de Imóveis não realizou, em 22 de maio, o pagamento de notas comerciais vinculadas ao CRI. 

Com isso, o patrimônio separado da operação ficou sem recursos suficientes para cumprir o repasse previsto aos investidores do certificado em 25 de maio.

De acordo com o relatório gerencial mais recente citado nas informações divulgadas, o CRI Helvetia tinha saldo devedor de R$ 58,9 milhões na carteira do CACR11, equivalente a 12,7% do patrimônio líquido do fundo.

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A notícia agravou a percepção de risco sobre a carteira de crédito do FII. No dia 26 de maio, as cotas caíram 6,69%, para R$ 33,50. No pregão seguinte, em 27 de maio, o tombo foi ainda mais forte, com queda de 16,72%, com o fundo fechando a R$ 27,90.

Dividendos do CACR11 caem para R$ 0,23 por cota

Na última semana do mês, o CACR11 também informou nova distribuição de rendimentos, no valor de R$ 0,23 por cota, com data-base em 29 de maio de 2026.

O valor dos dividendos do CACR11 representou uma queda de aproximadamente 80,8% em relação ao último rendimento pago anteriormente, de R$ 1,20 por cota. Na comparação com o dividendo de maio de 2025, de R$ 1,41 por cota, a redução chega a cerca de 83,7%.

Trata-se do segundo menor dividendo já anunciado pelo CACR11, ficando acima apenas do primeiro rendimento pago pelo fundo, de R$ 0,05 por cota, em abril de 2020.

O histórico recente mostra a mudança brusca no nível de distribuição. Nos meses anteriores, o fundo imobiliário CACR11 vinha pagando rendimentos acima de R$ 1,20 por cota, com valores como R$ 1,35 em dezembro de 2025, R$ 1,20 em janeiro de 2026, R$ 1,21 em fevereiro e R$ 1,20 em março.

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