CACR11: BRL Trust renuncia à administração em meio à crise; gestor diz que decisão não teve explicação

CACR11: BRL Trust renuncia à administração em meio à crise; gestor diz que decisão não teve explicação
CACR11: BRL Trust renuncia à administração em meio à crise; gestor diz que decisão não teve explicação (Foto: Pexels/Jan Van Der Wolf)

A crise envolvendo o CACR11 (Cartesia Recebíveis Imobiliários) ganhou um novo capítulo com a renúncia da BRL Trust à função de administradora do fundo. A decisão foi comunicada ao mercado por meio de fato relevante e ocorre em um momento de pressão sobre o FII, marcado pela suspensão de dividendos, retenção de caixa, atrasos em projetos imobiliários e desvalorização das cotas.

Segundo a administradora, a gestora Cartesia Investimentos foi notificada sobre a renúncia em 7 de julho. Agora, será convocada uma Assembleia Geral de Cotistas para deliberar sobre a escolha de uma nova administradora. Até que isso ocorra — ou pelo prazo máximo previsto na regulamentação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) — a BRL Trust permanecerá responsável pela administração do fundo imobiliário.

Gestora diz que não recebeu justificativa

Em entrevista ao Estadão/E-Investidor, o sócio da Cartesia Capital e gestor do fundo, Richard Sippli, afirmou que a gestora foi apenas comunicada sobre a decisão da administradora, sem acesso às razões que motivaram a renúncia.

“A Cartesia Capital foi apenas informada da decisão, sem acesso aos detalhes que motivaram a renúncia.”

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Até o momento, a BRL Trust não apresentou, no fato relevante que comunicou a renúncia, os motivos para deixar a administração do fundo.

A renúncia ocorre dias após a administradora convocar uma assembleia para que os cotistas deliberem sobre a manutenção da retenção de, no mínimo, 95% do resultado do primeiro semestre de 2026. A proposta busca preservar recursos em caixa diante das dificuldades enfrentadas pelo fundo.

Suspensão de dividendos e preservação de caixa

Nos últimos meses, o CACR11 suspendeu distribuições de rendimentos em diferentes momentos. No mesmo período, as cotas do fundo registraram forte desvalorização.

Ao Estadão/E-Investidor, Richard Sippli defendeu a estratégia adotada pela gestora, afirmando que a prioridade é manter recursos suficientes para concluir os empreendimentos que integram a carteira do fundo.

“Se eu pagar dividendos e fizer o cotista feliz hoje, não vou ter dinheiro para tocar as obras amanhã.”

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Segundo o gestor, atrasos burocráticos relacionados ao registro de incorporação e à emissão do “Habite-se” em projetos como Savoie (BA), Viva Itaparica (BA) e Station (SP) impediram a entrada de recursos prevista originalmente.

“Essa burocracia não estava na nossa programação e frustrou a entrada de caixa.”

De acordo com Sippli, a retenção dos resultados tem como objetivo preservar a liquidez do fundo, financiar a continuidade dos empreendimentos e suportar eventuais despesas extraordinárias até que as vendas dos imóveis possam avançar.

Contexto da crise

A situação do CACR11 se deteriorou ao longo dos últimos meses. Conforme informou o Valor Investe, o fundo passou por suspensão de dividendos, reprovação das demonstrações financeiras pelos cotistas e dificuldades em operações de crédito imobiliário da carteira.

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A gestora informou aos investidores que o primeiro semestre foi marcado por eventos que impactaram a liquidez do fundo e justificaram a estratégia de preservação de caixa.

Ainda de acordo com o Valor Investe, a expectativa da Cartesia é restabelecer gradualmente a distribuição de rendimentos ao longo do segundo semestre, condicionada ao avanço dos projetos imobiliários que enfrentam atrasos regulatórios e comerciais.

Em entrevista ao Estadão/E-Investidor, Sippli também afirmou que operações de incorporação imobiliária envolvem riscos superiores aos de outros segmentos do mercado e exigem que o investidor compreenda as características da estratégia adotada pelo fundo.

“Desde o início do fundo, nossa taxa média de retorno é de IPCA +13% ao ano. E isso não acontece por acaso. Esse retorno existe porque o risco também é elevado.”

A escolha de uma nova administradora será definida pelos cotistas em assembleia, enquanto o mercado acompanha os próximos desdobramentos envolvendo o CACR11.

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foto: Marcelo Monteiro
Marcelo Monteiro

Formado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em 1996, Marcelo Monteiro tem três décadas de carreira como jornalista. No currículo, inclui passagens e colaborações em veículos como Zero Hora, Correio Braziliense, Valor Econômico, InfoMoney, Gazeta Mercantil, Placar, Diário Catarinense, Fut!, Hoje em Dia e Diário de S.Paulo. É autor dos livros "U-507 - O submarino que afundou o Brasil na Segunda Guerra Mundial" (2012) e "U-93 - A entrada do Brasil na Primeira Guerra Mundial" (2014). Dirigiu os documentários "Delírios - Filosofia e reflexão no túnel da morte" (2021) e "Além do Limite - Quando a meta é sobreviver" (2022)

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