MXRF11 reduz rendimento e entrega abaixo do CDI em março
O MXRF11 (Maxi Renda FII), maior fundo imobiliário do Brasil em número de cotistas, reduziu o valor de seus rendimentos mensais em março de 2026 e registrou retorno equivalente abaixo de 100% do CDI no período, em meio ao cenário de juros elevados e pressão sobre os fundos imobiliários de recebíveis.
Segundo relatório gerencial divulgado pela gestão, o fundo imobiliário distribuirá R$ 0,095 por cota referente ao resultado de março de 2026. O pagamento representa dividend yield anualizado de 12,12% e retorno equivalente a 92,89% do CDI no período, considerando gross-up tributário de 15%.
Nos meses anteriores, o FII vinha registrando retorno equivalente acima de 100% do CDI. Em fevereiro, o rendimento distribuído foi de R$ 0,10 por cota, com retorno equivalente a 118,12% do CDI. Já em dezembro de 2025, o percentual havia alcançado 117,15% do CDI.
O MXRF11 encerrou março com 1.423.541 cotistas, mantendo a liderança da indústria de FIIs em número de investidores.
Gestão havia citado pressão sobre CRIs
Em relatório divulgado anteriormente, a gestão do MXRF11 afirmou que o resultado do book de CRIs vinha sendo pressionado pelos índices oficiais de inflação observados no segundo semestre de 2025, especialmente por conta da elevada exposição do portfólio ao IPCA.
Apesar disso, o rendimento distribuído permaneceu em R$ 0,10 por cota entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026. Em março, a distribuição foi reduzida para R$ 0,095 por cota.
O relatório mais recente também destaca deterioração do cenário macroeconômico para os FIIs. Segundo o documento, o IFIX caiu 1,06% em março, enquanto as projeções de inflação para 2026 voltaram a subir.
De acordo com o Boletim Focus citado pela gestão, a expectativa para o IPCA avançou para 4,86%.
O fundo segue concentrado em operações de crédito imobiliário indexadas à inflação. Em fevereiro, cerca de 88,93% da carteira de CRIs estava exposta a papéis atrelados ao IPCA.
Número de cotistas continua em alta
Mesmo com a redução do rendimento distribuído, o MXRF11 continuou ampliando sua base de investidores. O número de cotistas passou de 1,35 milhão em dezembro de 2025 para 1,42 milhão em março de 2026, crescimento superior a 65 mil investidores no período.
O patrimônio líquido do fundo permaneceu acima de R$ 4,3 bilhões ao longo dos últimos meses. Em março, o patrimônio reportado foi de R$ 4,31 bilhões, distribuídos em mais de 460 milhões de cotas.
Outro fator de destaque do fundo é a liquidez no mercado secundário. Em fevereiro, o volume negociado acumulado em 12 meses superava R$ 3 bilhões, com mais de 8,3 milhões de negócios realizados.
Papel segue sensível ao cenário econômico
O movimento observado no MXRF11 mantém o mercado atento aos fundos imobiliários de recebíveis, conhecidos como “FIIs de papel”.
Esses fundos possuem exposição relevante a CRIs e costumam ser impactados pelo comportamento da inflação, dos juros e pelo fluxo financeiro das operações estruturadas presentes nas carteiras.
Nos relatórios recentes, a gestão do MXRF11 também destacou que parte relevante do fluxo financeiro das operações de permuta ocorre mais próxima da conclusão dos projetos, o que pode gerar oscilações temporárias no resultado distribuível.