O carvão ficou para trás: o que a virada energética da China diz sobre o SNEL11

O carvão ficou para trás: o que a virada energética da China diz sobre o SNEL11
SNEL11 investe em usinas de energia fotovoltaica - Foto: Freepik

A energia solar alcançou um patamar importante na China. Pela primeira vez, a capacidade instalada de usinas fotovoltaicas no país ultrapassou a das termelétricas a carvão.

Segundo dados da Administração Nacional de Energia Chinesa, ao final de julho, a capacidade solar chegou a aproximadamente 1.286 GW, contra 1.285 GW de capacidade movida a carvão.

O resultado representa uma mudança importante na estrutura do setor elétrico chinês, historicamente dependente do carvão para atender à crescente demanda por eletricidade.

A expansão acelerada das fontes renováveis vem ocorrendo principalmente por meio de novos projetos solares e eólicos, acompanhando a estratégia do país de reduzir gradualmente sua dependência dos combustíveis fósseis.

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Ainda assim, o movimento evidencia a velocidade com que a capacidade renovável vem sendo incorporada aos sistemas elétricos. A China já havia atingido, em 2025, a marca de 1 TW de capacidade fotovoltaica instalada, superando antecipadamente uma projeção da Agência Internacional de Energia que apontava esse patamar para 2026.

O que o avanço da solar chinesa tem a ver com o SNEL11?

Para além da China, o avanço também reflete uma transformação mais ampla no mercado de energia: a expansão das fontes renováveis exige investimentos em geração, transmissão e armazenamento para que a eletricidade produzida por fontes intermitentes possa ser aproveitada de maneira mais eficiente. Esse cenário cria um ambiente favorável para negócios ligados à infraestrutura de energia limpa.

É nesse contexto que a notícia ganha relevância para o Suno Asset, responsável pelo SNEL11. O fundo tem como foco justamente ativos relacionados à geração de energia limpa, investindo em usinas fotovoltaicas de geração distribuída. Atualmente, o portfólio reúne mais de 20 usinas solares, distribuídas por nove estados brasileiros, com 87,8 MWp de capacidade instalada, segundo informações da própria gestora.

O modelo de negócio do SNEL11 apresenta uma diferença importante em relação a fundos imobiliários tradicionais. Em vez de concentrar sua estratégia em imóveis comerciais ou residenciais, o fundo possui ativos físicos de geração de energia.

As usinas são locadas para consumidores que utilizam os créditos provenientes da energia produzida, com contratos que podem envolver estruturas de aluguel fixo ou remuneração vinculada aos benefícios da geração.

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A expansão mundial da energia solar, portanto, ajuda a fortalecer a tese estrutural por trás do fundo. Quanto maior a participação das fontes renováveis na matriz elétrica, maior tende a ser a necessidade de infraestrutura capaz de produzir energia limpa. No caso do SNEL11, essa tendência está diretamente relacionada aos ativos que compõem seu portfólio.

FII realiza no ano expansão da carteira

O fundo também passou por uma forte expansão de sua carteira. No ciclo de crescimento iniciado com novas captações, o SNEL11 direcionou recursos para a aquisição de usinas solares de geração distribuída.

Ao final de 2025, havia contratos para aquisição de ativos que totalizavam 87,5 MWp, enquanto parte dos projetos já havia sido incorporada ao portfólio.

Esse movimento mostra como o crescimento da energia renovável pode se transformar em oportunidade de investimento em diferentes partes da cadeia.

Enquanto a China amplia sua capacidade solar em escala gigantesca, fundos como o SNEL11 buscam capturar, no mercado brasileiro, uma parcela dessa mesma tendência por meio de ativos reais de geração de energia.

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O avanço das renováveis, entretanto, não elimina os desafios do setor elétrico. Um dos principais é a necessidade de armazenar e transportar a energia produzida.

A geração solar é naturalmente variável e não acompanha necessariamente os horários de maior consumo, o que aumenta a importância de baterias, sistemas de transmissão e outras soluções capazes de proporcionar maior flexibilidade à rede. A China, por exemplo, já lidera o mercado mundial de armazenamento em baterias.

Oferta pode ampliar patrimônio para R$ 3,29 bi

De acordo com o prospecto da oferta do SNEL11, a operação tem potencial para elevar o patrimônio líquido do fundo de R$ 889,9 milhões para até R$ 3,29 bilhões. Essa projeção considera a colocação integral das cotas e o eventual exercício do lote adicional, conforme os termos da emissão.

A expansão também contempla um aumento relevante da capacidade instalada dos ativos, que pode passar de 149,4 MWp para 635,2 MWp. O número de projetos no portfólio pode avançar de 37 para 224 empreendimentos, com a incorporação de 187 novos projetos de geração solar, caso a oferta seja concluída nos parâmetros indicados.

As estimativas dependem da efetivação da oferta e não constituem garantia de desempenho futuro. A execução do pipeline e a alocação dos recursos seguirão o cronograma e as condições estabelecidas no prospecto, sujeito às etapas regulatórias e de mercado.

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foto: Vinícius Alves
Vinícius Alves
Jornalista

Jornalista formado na Faculdade Cásper Líbero. Com passagens pela Agência Estado e Editora Globo.

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