TGAR11 ou Selic a 14%: o que aconteceu nos últimos 12 meses?
Os rendimentos distribuídos pelo TGAR11 (TG Ativo Real) somaram R$ 9,73 por cota nos últimos 12 meses, segundo dados do Funds Explorer. O valor corresponde a um dividend yield (DY) de 21,06% em relação à cotação de R$ 46,20.
O percentual, porém, não representa sozinho o retorno obtido por quem manteve cotas do fundo imobiliário durante o período. Isso ocorre porque o dividend yield considera os rendimentos distribuídos em relação a um preço de referência, enquanto o retorno total também depende da variação da cotação.
No caso do TGAR11, essa diferença ganhou relevância diante da queda das cotas. O Funds Explorer informa que o fundo acumulava baixa de 45,18% em 2026, considerando uma cotação de R$ 84,28 no início do ano e R$ 46,20 no levantamento.
Dividendos somaram R$ 9,73 em 12 meses
O TGAR11 distribuiu R$ 9,73 por cota nos últimos 12 meses, segundo o Funds Explorer. Em relação à cotação de R$ 46,20, o valor corresponde a um DY de 21,06%.
O último rendimento informado era de R$ 0,70 por cota. Nos seis meses anteriores, os pagamentos acumulavam R$ 4,30 por cota, enquanto o total dos três meses anteriores era de R$ 2,14.
Os números ajudam a mostrar por que dividend yield e rentabilidade total não devem ser tratados como sinônimos.
O DY relaciona os rendimentos pagos pelo fundo a uma cotação utilizada como referência. Já o resultado de um investidor que compra uma cota e permanece com ela também é afetado pela valorização ou desvalorização do ativo no mercado.
Assim, um dividend yield positivo não significa necessariamente que o investimento apresentou retorno total positivo no mesmo intervalo.
Selic de 14% não significa retorno de 14%
Do outro lado da comparação está a Selic. A meta da taxa básica de juros está atualmente em 14% ao ano, mas permaneceu em níveis diferentes ao longo dos últimos 12 meses.
O histórico oficial do Banco Central mostra que a meta Selic passou a 15% ao ano em 31 de julho de 2025. O percentual foi mantido nas decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) de setembro, novembro e dezembro de 2025 e janeiro de 2026.
O ciclo de redução começou em março de 2026. A meta caiu para 14,75% a partir de 19 de março e depois passou para 14,50% em 30 de abril.
Em 18 de junho, a Selic foi reduzida para 14,25% ao ano. Na decisão de 5 de agosto, o Copom estabeleceu a meta de 14%, com vigência a partir de 6 de agosto.
Por isso, não é correto comparar diretamente o DY de 21,06% do TGAR11 nos últimos 12 meses com os atuais 14% ao ano da Selic.
Os dois percentuais representam medidas diferentes. O DY do fundo considera rendimentos distribuídos em uma janela passada, enquanto os 14% da Selic correspondem à taxa anualizada vigente atualmente.
Além disso, um investimento que acompanhasse a Selic durante os últimos 12 meses teria sido remunerado sob diferentes níveis da taxa básica ao longo do intervalo.
TGAR11 negocia abaixo do valor patrimonial
A queda da cotação também ampliou a diferença entre o preço de mercado e o valor patrimonial do TGAR11.
Segundo o Funds Explorer, o fundo apresentava patrimônio líquido de aproximadamente R$ 2,5 bilhões e valor patrimonial de R$ 107,23 por cota. Com a cotação de R$ 46,20, o P/VP estava em 0,43.
De maneira simplificada, um P/VP de 0,43 indica que a cota era negociada no mercado por cerca de 43% de seu valor patrimonial.
Esse indicador, isoladamente, não permite concluir se uma cota está barata ou cara e não representa uma previsão sobre seu comportamento futuro.
Os dados do Funds Explorer também mostram a dimensão da oscilação recente das cotas. Nas últimas 52 semanas, o TGAR11 registrou mínima de R$ 42,85 e máxima de R$ 86,64.
TGAR11 e Selic medem resultados diferentes
Os dados dos últimos 12 meses reforçam a necessidade de separar distribuição de rendimentos, variação da cotação e retorno total.
O TGAR11 distribuiu R$ 9,73 por cota no período, equivalentes a um DY de 21,06% sobre a cotação de R$ 46,20. Ao mesmo tempo, as cotas sofreram forte desvalorização no mercado.
Já a Selic está atualmente em 14% ao ano, depois de permanecer em 15% durante parte relevante do intervalo e passar por sucessivas reduções a partir de março de 2026.
Dessa forma, comparar apenas o DY do TGAR11 com a taxa Selic vigente não permite determinar qual alternativa apresentou maior retorno nos últimos 12 meses. Para essa comparação, seria necessário considerar o retorno total do FII e a rentabilidade efetivamente acumulada por um investimento que acompanhasse a Selic no mesmo intervalo e sob critérios equivalentes.