Google fecha contrato bilionário de energia solar para data centers; SNEL11 de olho na tendência
A contratação de energia solar pelo Google para atender à expansão de seus data centers nos Estados Unidos reforça uma tendência que também ganha importância no mercado brasileiro: a necessidade de ampliar a oferta de geração renovável para acompanhar o avanço da demanda por eletricidade associada à digitalização e à inteligência artificial. Esse movimento cria um cenário potencialmente favorável para empresas e fundos expostos à geração solar, como o SNEL11.
O Google será o principal comprador da energia produzida pelo Mammoth Solar, complexo de US$ 350 milhões que está sendo construído sobre uma antiga mina de carvão a céu aberto na Virgínia Ocidental. O empreendimento terá 86 MW de capacidade solar, além de sistemas de armazenamento que permitirão deslocar parte da energia produzida durante o dia para períodos de menor geração.
O projeto contará inicialmente com 70 MW/280 MWh em baterias de íons de lítio e outros 10 MW/100 MWh em baterias de zinco, capazes de fornecer eletricidade por até dez horas. A combinação entre geração fotovoltaica e armazenamento busca aumentar a disponibilidade da energia renovável ao longo do dia.
A contratação do Google também evidencia uma característica cada vez mais relevante do mercado de energia: grandes consumidores estão buscando contratos de longo prazo para garantir previsibilidade no fornecimento, ao mesmo tempo em que aumentam a participação de fontes renováveis em sua matriz.
Energia solar: demanda de data centers aumenta necessidade de geração
O projeto Mammoth Solar deverá entrar em operação comercial em etapas: a geração solar está prevista para 2028, as baterias de íons de lítio para 2029 e o sistema de armazenamento de longa duração com baterias de zinco para 2030. Quando concluído, o complexo estará conectado à PJM Interconnection, uma das principais redes elétricas dos Estados Unidos.
O Google, por sua vez, assinou um contrato de 20 anos para comprar energia, capacidade e atributos de energia limpa associados ao empreendimento. O acordo mostra como empresas de tecnologia estão se tornando importantes agentes na contratação de energia renovável, especialmente diante do avanço da demanda dos data centers.
A companhia já vem ampliando esse tipo de contrato. Em julho, por exemplo, fechou um acordo para adquirir toda a energia produzida na primeira fase do Steel River Energy Center, outro projeto de geração solar combinado com armazenamento nos Estados Unidos.
A tendência é relevante para o setor porque os data centers demandam fornecimento de energia em grande escala e com elevada confiabilidade. Ao mesmo tempo, a expansão da inteligência artificial aumenta a necessidade de infraestrutura computacional, criando pressão adicional sobre os sistemas elétricos.
SNEL11 capta R$ 1 bi e ganha escala para ampliar portfólio
Recentemente, o SNEL11, fundo da Suno Asset dedicado à geração distribuída de energia solar, encerrou sua quinta emissão de cotas com uma captação de R$ 1,01 bilhão.
A operação adicionou 116,37 milhões de novas cotas ao fundo, ao preço de R$ 8,65 cada, já considerando a taxa de distribuição.
A nova rodada de captação praticamente dobra o tamanho do fundo e dá à gestão maior capacidade financeira para avançar na expansão do portfólio.
O plano é direcionar os recursos principalmente para a compra de usinas que já estão em funcionamento, com contratos firmados e histórico comprovado de geração de energia.