O fundo Prisma Proton Energia (PPEI11) registrou 31,9 MW médios de geração de energia em agosto, alta de 2,8% em relação ao mesmo mês de 2025, em um momento em que os quatro parques solares do portfólio seguem apresentando produção acima dos volumes contratados.
O desempenho foi impulsionado pela maior incidência de recurso solar nos parques. A disponibilidade média dos ativos também permaneceu elevada, entre 99,6% e 99,9%, acima da meta de 99% utilizada para fins de certificação da produção de energia de P50.
Apesar dos números positivos, o mês marcou um novo ponto de atenção para o fundo. Em agosto, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) acionou pela primeira vez o Plano Emergencial de Gestão de Excedentes de Energia na Rede de Distribuição para duas usinas do portfólio do PPEI11.
A medida atingiu parcialmente as usinas Esmeralda e Sobrado, que tiveram o escoamento da energia restringido entre 11h e 13h do dia 23 de agosto. Segundo o fundo, o volume de energia sujeito ao corte foi estimado em 59,51 MWh, com impacto financeiro de aproximadamente R$ 29,3 mil.
O episódio coloca no radar um novo fator para os ativos de geração solar do fundo: a necessidade de administrar eventuais restrições de produção em momentos de excedente de energia no sistema elétrico. Ainda não há, contudo, uma estimativa de impacto recorrente, já que a ocorrência depende das condições de operação da rede e dos critérios definidos para o acionamento do plano.
Receita cresce 4,2% e geração supera contratos
Mesmo com a restrição pontual, a operação das usinas apresentou crescimento em agosto. A receita líquida chegou a R$ 11,93 milhões, avanço de 4,2% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Do aumento de R$ 480 mil, aproximadamente R$ 190 mil vieram do reajuste pelo IPCA nos preços dos contratos de compra e venda de energia (PPAs), enquanto outros R$ 290 mil foram explicados pelo maior volume de geração.
Outro ponto destacado pelo fundo é que, no acumulado dos anos contratuais, os quatro parques permanecem com geração acima dos volumes contratados nos leilões. Eventuais excedentes podem ser cedidos a outras usinas participantes do mesmo leilão, por meio de negociação bilateral.
Os custos e despesas, por outro lado, subiram 17,8% em agosto na comparação anual. A gestão atribuiu a alta a um efeito de competência específico do período e afirmou que, no acumulado do ano, o crescimento dos custos permanece abaixo da inflação.
Com a estrutura de financiamento das investidas, as despesas com juros somaram R$ 730 mil no mês, sendo R$ 580 mil relacionados ao financiamento do BNB e R$ 150 mil referentes às debêntures de infraestrutura emitidas pela holding.
O que muda com o Plano Emergencial
O Plano Emergencial foi deliberado pela ANEEL em novembro de 2025 com o objetivo de preservar a segurança operativa do sistema elétrico em situações críticas de controle de frequência. No caso do PPEI11, apenas Esmeralda e Sobrado estão sujeitas à medida.
O impacto financeiro de novos acionamentos ainda não pode ser projetado com precisão. Isso porque o efeito sobre as receitas depende de fatores como volume de energia cortada, critérios de rateio e eventual existência de mecanismos de ressarcimento.
A questão ganha relevância porque os quatro ativos do fundo estão 100% operacionais e vêm apresentando disponibilidade próxima de 100%. Ou seja, além da capacidade de geração dos parques, a dinâmica de escoamento da energia produzida passa a ser um fator a ser acompanhado pelos investidores.
No fechamento de agosto, o PPEI11 tinha valor de mercado de R$ 377,3 milhões, com a cota negociada a R$ 83,84. O fundo contava ainda com 2.312 cotistas e volume médio diário de negociação de R$ 150 mil nos 90 dias anteriores.


