O Fiagro AAZQ11 não vai distribuir dividendos referentes a setembro e outubro após a remarcação da cota sênior do Fiagro Cotribá, ativo que integra sua carteira. A decisão foi comunicada em fato relevante divulgado na última quarta-feira (30) e detalhada no relatório gerencial de setembro.

Segundo a AZ Quest, gestora do fundo, a remarcação feita pelo administrador do Cotribá gerou um impacto negativo de cerca de 0,4% do patrimônio líquido do fundo em setembro, o equivalente a R$ 1 milhão. O ativo representava 3,45% do patrimônio antes do ajuste e passou a responder por 2,90%.

A gestora do Fiagro afirma que a retenção dos dividendos do AAZQ11 busca preservar o equilíbrio entre o valor distribuído e o lucro contábil apurado pelo regime de competência. Pela regra, no encerramento do exercício social, em dezembro de 2026, o total distribuído no semestre não pode superar o lucro contábil do período.

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Neste caso, a retomada dos dividendos está prevista pela gestora para novembro.

Por que a gestora optou por reter o resultado

Com a não distribuição, o Fiagro fechou setembro com resultado positivo acumulado de R$ 0,041 por cota. O lucro contábil do mês foi de R$ 978,9 mil, ou R$ 0,0407 por cota, ante receita de R$ 1,16 milhão — contra R$ 2,37 milhões em agosto.

A gestora cita dois fatores para a retenção. O primeiro é a possibilidade de novas remarcações na cota sênior do Fiagro Cotribá, em razão da régua de Provisão de Devedores Duvidosos aplicada pelo administrador daquele fundo, da ordem de 2,06% do patrimônio líquido, ou R$ 4,3 milhões — o equivalente a R$ 0,18 por cota. O segundo são os ativos estressados que já contam com marcações.

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Além disso, a AZ Quest informa que os demais ativos do fundo estão estáveis e que não identifica, neste momento, outro ativo em sinal de deterioração. A previsão comunicada é de retomada das distribuições a partir de novembro de 2026, de forma gradual, sem impacto na cota patrimonial.

O que aconteceu com o Fiagro Cotribá

O Fiagro Cotribá é gerido pela Eco Gestão de Recursos e administrado pelo Daycoval. Sua tese é o financiamento de cooperados de uma cooperativa do Rio Grande do Sul, região afetada por frustração de safra nos últimos ciclos. O cenário climático somado aos juros elevados levou ao aumento da inadimplência na carteira.

O AAZQ11 é investidor da cota sênior, com investimento total de R$ 7,1 milhões. A própria cooperativa, que figura como cotista subordinada júnior, está inadimplente com suas obrigações de coobrigação e tentou pedidos de recuperação judicial nos últimos meses — não concedidos pelo Judiciário.

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Como ficou a carteira do AAZQ11

O fundo encerrou setembro com 91,4% do patrimônio líquido alocado em ativos do agronegócio, sendo 64,0% em CRAs e 23,0% em Fiagros de direitos creditórios. O caixa representava 7,65% do patrimônio, ou R$ 15,9 milhões.

A taxa ponderada de carrego da carteira ficou em CDI + 3,03%, e a taxa líquida, descontados impostos e taxas, em CDI + 1,61% ao ano.

Entre as movimentações do mês, a gestão ampliou a exposição ao Fiagro Toagro em R$ 200 mil e ao Fiagro BR Agro em cerca de R$ 1,3 milhão, ambos a CDI + 5,0% ao ano. O fundo também registrou amortizações e saídas extraordinárias de posições no total de R$ 10,6 milhões, o que elevou o caixa — montante que, segundo a gestora, deve ser realocado em ativos do agronegócio nos próximos meses.

Por fim, o patrimônio líquido do AAZQ11 era de R$ 208,5 milhões ao fim de setembro, com valor patrimonial de R$ 8,67 por cota. A base de cotistas somava 29.851 investidores.