HSLG11 tem aluguel atrasado pela Casas Bahia, mas prevê manter rendimento
O fundo imobiliário HSLG11 (HSI Logística FII) informou que a Casas Bahia não pagou, até esta terça-feira (18), os aluguéis com vencimento em agosto dos dois imóveis ocupados pela varejista no portfólio. A informação foi divulgada pelo fundo após a companhia inquilina protocolar, no domingo (16), um pedido de recuperação judicial na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo.
Apesar do atraso, a gestão prevê manter o próximo rendimento em R$ 0,75 por cota. Caso os valores devidos pela Casas Bahia não sejam recebidos integralmente no período, o fundo imobiliário informou que pretende complementar a receita necessária para a distribuição com resultado acumulado. A projeção não representa promessa ou garantia de rentabilidade.
A Casas Bahia está relacionada a 30,9% da receita contratada do fundo. Segundo o relatório gerencial de julho, 27,6% da receita vinha diretamente da varejista e outros 3,3% estavam associados a áreas sublocadas, mas cujo pagamento integral dos aluguéis permanecia sob responsabilidade da companhia.
Na B3, a cota do HSLG11 recuar 9,14% nesta terça-feira, para R$ 72,51. Na segunda-feira (17), o fundo havia encerrado o pregão a R$ 79,52, com queda de 4,69%. Em 20 de julho, a cota havia alcançado R$ 91,84. A diferença entre esse valor e os R$ 72,51 registrados nesta terça representa uma desvalorização de aproximadamente 21%.
O que aconteceu com aluguéis da Casas Bahia
O atraso informado pelo HSLG11 diz respeito aos aluguéis com vencimento em agosto. Os pagamentos com vencimento em julho foram quitados integralmente pela Casas Bahia, segundo o fato relevante.
A gestão informou que comunicou a varejista sobre a falta de pagamento e notificou a empresa sobre a possibilidade de aplicação das penalidades previstas nos contratos. O fundo também explicou que os valores vencidos constituem crédito do HSLG11 contra a companhia no contexto do pedido de recuperação judicial.
Há uma distinção entre os valores já vencidos e os próximos aluguéis. Conforme explicou o fundo, com base no artigo 67 da Lei nº 11.101/2005, obrigações contraídas pelo devedor durante a recuperação judicial, incluindo os aluguéis que vencerem a partir do deferimento do processamento do pedido, são classificadas como créditos extraconcursais. Segundo o HSLG11, esses valores não ficam submetidos aos efeitos da recuperação judicial e devem ser pagos normalmente.
Até a divulgação do fato relevante, entretanto, ainda não havia decisão judicial sobre o processamento do pedido apresentado pela Casas Bahia.
Casas Bahia pediu manutenção das locações
Até a divulgação do fato relevante, a Casas Bahia não havia comunicado intenção de rescindir os contratos ou desocupar os imóveis. As locações permaneciam vigentes e, segundo a gestão, não havia indicação de interrupção das operações nos galpões.
No pedido de recuperação judicial, a rede varejista incluiu as locações dos imóveis do HSLG11 entre os contratos considerados essenciais e cuja manutenção foi solicitada à Justiça. Segundo a gestão, essa inclusão reforça a intenção de continuidade das operações nos locais.
Os dois empreendimentos são o HSI Log Contagem, em Contagem (MG), e o HSI Log São José dos Pinhais, em São José dos Pinhais (PR). O primeiro possui cerca de 92 mil metros quadrados de área bruta locável (ABL), enquanto o segundo soma aproximadamente 74,2 mil metros quadrados. Ambos estão integralmente locados à varejista.
No relatório gerencial de julho, depois da Casas Bahia, os maiores locatários por participação na receita eram Mercado Livre, com 13,3%; Bemol, com 12,9%; Assaí, com 11,8%; e Comercial Esperança, com 7,7%.
HSLG11 já tentava reduzir concentração na Casas Bahia
A estratégia de diversificação dos dois imóveis ocupados pela Casas Bahia começou antes do pedido de recuperação judicial. O fato relevante lembra que, em abril de 2025, a gestão formalizou aditivos aos contratos de locação dos empreendimentos.
Os aditivos aproximaram os aluguéis dos valores praticados no mercado das respectivas regiões e deram início a um processo para transformar os empreendimentos em galpões multiusuários. Segundo o fundo, a estratégia cria a possibilidade de redução parcial da área ocupada pela Casas Bahia e de diversificação dos locatários.
O relatório gerencial de julho indicava potencial de redução de aproximadamente 12 pontos percentuais na concentração da receita após novas comercializações. Nesse cenário apresentado pela gestão, a participação relacionada à Casas Bahia poderia cair dos atuais 30,9% para aproximadamente 19%.
O HSLG11 encerrou julho com ocupação de 100% e inadimplência de 0%. O aluguel nominal médio do portfólio passou de R$ 26,20 para R$ 27,30 por metro quadrado entre abril e julho.
HSLG11 prevê rendimento de R$ 0,75 por cota
O HSLG11 informou que pretende anunciar em 31 de agosto rendimento de R$ 0,75 por cota, mantendo o patamar da distribuição anterior.
Caso os aluguéis da Casas Bahia não sejam recebidos integralmente, a diferença necessária para completar a receita da distribuição será complementada pelo resultado acumulado do fundo. A gestão ressalta que a projeção não representa promessa ou garantia de rentabilidade.
Antes do pedido de recuperação judicial, a estimativa apresentada pelo fundo para o restante de 2026 apontava distribuições mensais entre R$ 0,74 e R$ 0,76 por cota. Em julho, o HSLG11 distribuiu R$ 0,75 por cota.
O eventual uso do resultado acumulado dependerá do recebimento dos aluguéis da Casas Bahia. Conforme o fato relevante, caso os valores não sejam pagos integralmente, o fundo utilizará parte desse resultado para complementar a receita necessária à distribuição projetada para agosto.
A gestão afirmou ainda que poderá adotar as medidas necessárias para preservar os direitos do fundo diante de eventual inadimplência contratual, incluindo a possibilidade de ação de despejo, caso essa providência seja considerada necessária.
Enquanto o pedido de recuperação judicial aguarda decisão sobre seu processamento, o HSLG11 mantém os contratos de locação dos dois imóveis com a Casas Bahia e acompanha o pagamento dos valores devidos. Paralelamente, o fundo segue com a estratégia de diversificação dos empreendimentos iniciada em 2025.