Fiagro acelera alocação enquanto crédito rural oficial recua; entenda o cenário
O mercado de crédito do agronegócio entra em uma nova safra diante de uma mudança importante na composição do financiamento rural. Embora o Plano Safra 2026/27 tenha anunciado R$ 525,1 bilhões para a agricultura empresarial, os recursos destinados a custeio e comercialização recuaram de R$ 414,7 bilhões para R$ 384,9 bilhões, uma redução de 7,2% em relação ao ciclo anterior.
A linha de custeio é justamente uma das principais fontes de recursos utilizadas pelos produtores para despesas operacionais, como compra de insumos, condução das lavouras e manutenção da produção.
Ao mesmo tempo, o pacote direcionou uma parcela maior dos recursos para investimentos: as linhas destinadas a essa finalidade passaram de R$ 101,5 bilhões para R$ 140,2 bilhões, alta de 38,1%.
É nesse ambiente que os Fiagros ganham relevância como alternativa de financiamento ao agronegócio. Ao direcionarem recursos para operações de crédito ligadas à cadeia produtiva, os fundos podem atuar justamente em um segmento em que a demanda por capital permanece elevada.
Fiagro ROCA11 amplia exposição a crédito do agronegócio
Um exemplo é o Fiagro ROCA11, que encerrou julho praticamente concluindo a etapa de alocação dos recursos captados em sua segunda emissão. O fundo investiu R$ 30,6 milhões em quatro novos ativos, elevando o percentual do patrimônio líquido alocado de 34% para 95%.
Entre as novas posições estão o CRA Carteira 62ª Emissão, com remuneração de CDI + 7,50% ao ano e vencimento em abril de 2030; o CRA FERTZ, a CDI + 3,00% ao ano e vencimento em outubro de 2031; e o CRA GT Foods, com retorno de CDI + 2,40% ao ano e vencimento em julho de 2031.
O fiagro também destinou R$ 3,1 milhões a cotas do Up North Fiagro, ampliando a diversificação da carteira. Com os novos investimentos, o patrimônio líquido do ROCA11 encerrou julho em aproximadamente R$ 41,43 milhões, com apenas 5% ainda mantidos em caixa.
A movimentação também incluiu a monetização de uma posição anterior. O fundo recebeu cerca de R$ 4 milhões com a recompra integral do lastro do CRA Carteira 59ª Emissão pelo cedente, além de aproximadamente R$ 1 milhão em novas amortizações da 56ª emissão.
Com a nova composição, a taxa média dos ativos de crédito subiu para aproximadamente CDI + 5,1%, ante CDI + 3,9% em junho. A duration média da carteira ficou em torno de 3,6 anos, indicando um carrego que, segundo a gestão, tende a aparecer nos resultados das cotas ao longo dos próximos meses.
A cota patrimonial do ROCA11 registrou alta de 1,13% em julho, equivalente a 93% do CDI. Foi o primeiro mês sem efeitos não recorrentes após a emissão de junho. No acumulado do ano, a valorização chega a 3,67%, ou 61% do CDI; desconsiderando o efeito não recorrente da emissão, o retorno sobe para 5,88%, equivalente a 98% do CDI.
Carteira do fiagro entra em nova fase após captação
Com aproximadamente 95% do patrimônio já investido, a estratégia do fundo entra agora em uma nova etapa. O foco passa a ser a gestão ativa das posições, a reciclagem dos ativos com vencimentos mais curtos e a ampliação da pulverização do risco entre diferentes devedores.
A gestão também deverá acompanhar o mercado secundário em busca de oportunidades para complementar a parcela da carteira investida em CRAs corporativos emitidos a mercado.
Outro ponto de atenção será o início da distribuição de rendimentos. O ROCA11 ainda não realizou distribuição de proventos, já que o fundo se encontra em fase de alocação dos recursos captados na segunda emissão.
A partir da primeira distribuição, a gestão passará a divulgar os indicadores de receitas, despesas, resultado por cota e dividend yield anualizado, além do retorno das diferentes emissões de cotas.
Até o momento, a carteira apresenta 100% de adimplência. Segundo a gestão, não existem eventos de inadimplência, reestruturação ou provisões para devedores duvidosos nos ativos que compõem o portfólio.
Entre as posições acompanhadas está o CRA GT Foods, que realizou o pagamento dos juros semestrais previstos para janeiro de 2026, enquanto os covenants da operação seguem sendo monitorados. Já o CRA Carteira 56ª Emissão está em fase final de amortização, dentro do cronograma previsto.