HSLG11 sobe na Bolsa após decisão sobre dividendos em meio ao caso Casas Bahia
O fundo imobiliário HSLG11 avançava 3,31% na Bolsa nesta quarta-feira (19), negociado a R$ 74,91 por volta das 13h15. No horário, o fundo registrava a segunda maior alta entre os integrantes do IFIX no pregão, atrás apenas do CACR11.
A alta das cotas veio depois de o fundo divulgar, no fim da tarde de terça-feira (18), novos esclarecimentos sobre os impactos do pedido de recuperação judicial da Casas Bahia, locatária de dois imóveis da carteira.
Entre as informações, a gestão confirmou a intenção de manter os dividendos em R$ 0,75 por cota no anúncio previsto para 31 de agosto.
Segundo o fato relevante, esse patamar será sustentado com o resultado acumulado disponível pelo fundo imobiliário HSLG11.
Caso os aluguéis devidos pela Casas Bahia não sejam recebidos integralmente no período, o saldo poderá complementar a receita necessária à distribuição. A projeção, como ressalvou a gestão, não representa promessa nem garantia de rentabilidade.
A sinalização ocorreu após dois pregões de forte pressão sobre as cotas. Entre segunda (17) e terça-feira (18), o fundo acumulou queda próxima de 15%, em meio às preocupações do mercado com a recuperação judicial da varejista.
HSLG11 esclarece a situação dos aluguéis da Casas Bahia
A Casas Bahia protocolou o pedido de recuperação judicial em 16 de agosto. A companhia ocupa os imóveis HSI Log. Contagem, em Minas Gerais, e HSI Log. São José dos Pinhais, no Paraná, ambos do FII HSLG11.
Apesar do processo, a gestão informou que não recebeu manifestação da varejista indicando intenção de rescindir os contratos ou deixar os empreendimentos.
As locações seguem vigentes e, no próprio pedido, a Casas Bahia incluiu esses contratos entre os considerados essenciais, cuja manutenção foi solicitada à Justiça.
A situação dos pagamentos, porém, pede acompanhamento. Os aluguéis com vencimento em julho foram integralmente quitados, mas os valores vencidos em agosto ainda não haviam sido pagos até a divulgação do fato relevante.
A companhia foi notificada sobre o atraso e sobre a possibilidade de aplicação das penalidades previstas nos contratos.
O fundo também explicou que, pela legislação de recuperação judicial, obrigações contraídas após o deferimento do processamento do pedido, incluindo aluguéis que vencerem a partir desse momento, são consideradas créditos extraconcursais.
Na prática, esses valores não ficam submetidos aos efeitos da recuperação judicial e devem ser pagos normalmente. Até a publicação do comunicado, ainda não havia decisão sobre o pedido da Casas Bahia.
Antes mesmo do pedido de recuperação judicial, o fundo HSLG11 já havia iniciado mudanças nos dois imóveis ocupados pela Casas Bahia.
Em abril de 2025, foram formalizados aditivos contratuais que, além de aproximar os aluguéis dos valores de mercado, deram início à transformação dos empreendimentos em galpões multiusuários.
A estratégia permite uma eventual redução da área ocupada pela Casas Bahia e a entrada de outros inquilinos. Para a gestão, o cenário atual não altera esse plano.
Enquanto o mercado assimila os esclarecimentos, o fundo seguia entre os destaques positivos do IFIX nesta quarta-feira, recuperando parte das perdas do início da semana. A alta de 3,31% e a cotação de R$ 74,91 são a posição do FII na Bolsa por volta das 13h15, com o pregão do HSLG11 ainda em andamento.