Fundo Imobiliário de data centers da AZ Quest capta R$ 482 milhões
O fundo imobiliário de data centers da AZ Quest captou R$ 482 milhões na primeira emissão de cotas e reuniu mais de 7 mil investidores, segundo informações da gestora divulgadas em entrevista ao Estadão. O valor corresponde ao teto da oferta.
O AZ Quest Panorama Data Centers FII teve o registro concedido pela CVM em 3 de julho de 2026, pelo rito automático. A oferta previa a emissão de 4,82 milhões de cotas a R$ 100 cada, com captação mínima condicionada a R$ 291 milhões.
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Pela classificação ANBIMA, o fundo é de tijolo, com gestão ativa e subclassificação de renda. A administração é do Banco Daycoval e a gestão, da AZ Quest Panorama.
Quatro ativos da Scala, com projeção de retorno equivalente a IPCA + 9,5%
Os recursos foram destinados à compra de quatro imóveis da Scala Data Centers: o data center de Fortaleza (CE) e sua subestação elétrica, além de duas subestações em Tamboré (SP) e Jundiaí (SP).
O ativo cearense e sua subestação respondem por cerca de 60% do valor econômico da operação, de acordo com o estudo de viabilidade da oferta. O empreendimento fica na Praia do Futuro, região por onde chega a maior parte dos cabos de fibra óptica internacionais que conectam o país.
A estrutura é de sale and leaseback: a Scala vendeu os imóveis, recebeu os recursos e segue como locatária, com contrato de dez anos. O fundo tem prazo de duração equivalente, prorrogável por mais 18 meses, e o contrato prevê três janelas de recompra pela Scala — no 36º mês, com prêmio de 9% sobre o cap rate de entrada; no 72º, com 5%; e no 120º, sem prêmio.
Os documentos da oferta projetam rentabilidade líquida equivalente a IPCA + 9,5% ao ano no cenário de captação máxima, já considerando a recompra ao fim do contrato. Trata-se de projeção do estudo de viabilidade, sem garantia de retorno.
O fundo imobiliário aproveita o crescimento do setor
A operação ocorre em um ciclo de expansão da infraestrutura digital no Brasil. A Associação Brasileira de Data Centers (ABDC) estima investimentos de R$ 500 bilhões no país até 2030, com a capacidade instalada saindo de 730 MW para 3,2 GW.
Fundada em 2020, a Scala opera 13 unidades no Brasil, com cerca de 200 MW instalados, e é controlada pela DigitalBridge. A companhia atende grandes empresas de tecnologia e já era conhecida da gestora: em maio de 2024, o AZIN11 alocou R$ 50 milhões em debêntures da SDC Participações, holding do grupo.
A AZ Quest tem R$ 36,7 bilhões sob gestão, dos quais R$ 1,1 bilhão em estratégias imobiliárias. Com a conclusão da oferta, o FII de data centers passa a integrar a prateleira de ativos alternativos que a casa vem ampliando desde 2022.