CCME11 sinaliza guidance de dividendos e investe R$ 72,4 mi em CRIs
O fundo imobiliário CCME11 anunciou uma estimativa de distribuição de rendimentos entre outubro e dezembro de 2026 na faixa de R$ 0,084 a R$ 0,088 por cota.
O cenário-base da gestão considera a manutenção do pagamento de R$ 0,086 por cota, mesmo diante dos efeitos da menor inflação sobre parte da carteira de crédito.
Em 16 de setembro, o fundo distribuiu R$ 0,086 por cota aos investidores. Já o resultado de agosto foi de R$ 4,7 milhões, equivalente a R$ 0,069 por cota, segundo o relatório gerencial.
De acordo com a gestão, o resultado foi impactado principalmente pelo menor IPCA observado nos meses de julho e agosto, que reduziu as receitas dos CRIs atrelados à inflação. Ainda assim, o fundo afirma que o guidance para os próximos meses é compatível com as receitas recorrentes esperadas e não depende de ganhos não recorrentes.
Além disso, o CCME11 mantém uma reserva acumulada de R$ 7 milhões, equivalente a aproximadamente R$ 0,10 por cota, que ainda não foi distribuída aos investidores. A reserva funciona como uma margem para a política de distribuição do fundo diante de oscilações no resultado.
No portfólio de crédito, o fundo investiu R$ 72,4 milhões em dois novos CRIs adquiridos no mercado primário. Foram R$ 57,6 milhões no CRI Mello Alves, com remuneração de IPCA + 10,25% ao ano, e outros R$ 14,8 milhões no CRI TOPP11, a IPCA + 8,75% ao ano.
CCME11 amplia carteira de CRIs e prepara nova operação
Segundo a gestão, a carteira atual de CRIs apresenta taxas médias, considerando o valor patrimonial da cota, de CDI + 2,5% ao ano e IPCA + 9,7% ao ano, dependendo do indexador.
Nos últimos 12 meses, o fundo destinou mais de R$ 186 milhões para novas operações de crédito. De acordo com o relatório, os investimentos já vêm contribuindo positivamente para o resultado recorrente da carteira.
A estratégia busca operações com retorno ajustado ao risco considerado atrativo pela gestão, mantendo o foco na qualidade dos ativos. Considerando os preços atuais da cota no mercado secundário e o desconto em relação ao valor patrimonial, o fundo calcula retornos implícitos de CDI + 9% ao ano e IPCA + 13,1% ao ano, já líquidos das taxas de gestão e administração.
O CCME11 também informou que pretende realizar, até o fim de setembro, um novo investimento em uma operação estruturada exclusivamente pela equipe de gestão. Os detalhes da nova alocação deverão ser apresentados no próximo relatório gerencial.
Além da estratégia de crédito, o fundo passou por uma mudança relevante em seu portfólio imobiliário. Em 10 de setembro, o CCVA11, veículo cujas cotas são integralmente detidas pelo CCME11, concluiu a venda de uma participação de 10% no Shopping Jardim Sul por R$ 68,8 milhões.
Venda do Jardim Sul gera impacto estimado de R$ 2,7 milhões
Segundo o relatório, a operação deve gerar um impacto estimado de R$ 2,7 milhões para o CCME11. O veículo CCVA11, que detinha diretamente a participação no shopping, deverá ser encerrado ao longo do quarto trimestre de 2026, com seus ativos e direitos consolidados no CCME11.
A gestão afirma que o investimento no Shopping Jardim Sul gerou retorno total de 25,8% durante o período em que a participação permaneceu na carteira. O desempenho, segundo o fundo, superou os retornos de 9,8% dos FIIs do segmento de shoppings e de 9,7% do IFIX no mesmo intervalo informado no relatório.
O investimento tinha como objetivo a geração de renda e, segundo a gestão, cumpriu seu papel dentro da estratégia multiestratégia do fundo. Com o desinvestimento, a administração avalia que existem atualmente outras oportunidades de alocação com melhor relação entre risco e retorno.
Os últimos dados operacionais do shopping antes da venda mostraram ocupação de 98%. Em julho, as vendas totais avançaram 1,1% na comparação anual, enquanto o NOI recuou 1%. No acumulado de janeiro a julho de 2026, as vendas apresentaram alta de 10%.
Entre os destaques comerciais do período esteve a inauguração da loja Friga, do segmento de vestuário, com uma área de 60 metros quadrados. O relatório de agosto, por sua vez, marca a última divulgação do fundo com informações operacionais detalhadas sobre o Shopping Jardim Sul.
Kasa Vila Olímpia registra alta na ocupação
Outro ativo imobiliário do portfólio é o Kasa Vila Olímpia, empreendimento residencial com 243 apartamentos voltados para locação de média duração. O imóvel está localizado próximo a centros financeiros e a uma ampla oferta de comércio, serviços e lazer.
Em agosto, a ocupação chegou a 79%, uma alta de 8 pontos percentuais em relação a julho. Segundo a gestão, o início do semestre representa um período positivo para a ocupação do empreendimento, que tem estudantes do Insper entre sua principal base de inquilinos.
O aluguel médio alcançou R$ 114 por metro quadrado, uma alta de 27% desde o início da gestão do ativo, em 2023. Já o prazo médio dos contratos assinados em agosto foi de 13,6 meses.
Na frente de FIIs e ações, o portfólio do CCME11 era composto por oito ativos em agosto. Desde o início das alocações, entre junho de 2022 e agosto de 2026, a carteira acumulava valorização de 45,8%, segundo o relatório.
No mesmo período, o IFIX acumulava alta de 33,5%, uma diferença de 12,2 pontos percentuais em relação ao desempenho informado para a carteira do fundo. Em agosto, não foram realizadas movimentações no portfólio de FIIs, mas a gestão afirma estar acompanhando novas oportunidades de alocação.
Gestão mantém foco em renda recorrente
O guidance de R$ 0,084 a R$ 0,088 por cota entre outubro e dezembro tem como referência central os R$ 0,086 por cota, valor distribuído em setembro. A estimativa, segundo o fundo, está baseada nas receitas recorrentes esperadas para o período.
A existência de uma reserva acumulada de R$ 7 milhões, ou R$ 0,10 por cota, também dá ao fundo uma parcela de resultados ainda não distribuídos. A gestão, porém, ressalta que o guidance considera as receitas recorrentes e não depende de ganhos extraordinários.