Conheça 7 FIIs de papel que estão descontados e com dividend yield “nas alturas”

Noticia sem thumbnail
Imóveis. Foto: Pixabay

Os FIIs de papel aparecem entre as alternativas que mais chamam atenção dos investidores em busca de renda recorrente. Com carteiras concentradas principalmente em Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e outros ativos de crédito, esses fundos podem oferecer dividendos elevados — e alguns deles ainda são negociados abaixo do valor patrimonial.

FundoDividend yieldP/VP
RZAK1116,81%0,87x
MCRE1116,75%0,78x
EXES1116,58%0,97x
RBHG1116,56%0,67x
RBRY1116,41%0,81x
ALZC1116,35%0,81x
ITIP1116,23%0,83x

Um levantamento da Status Invest reúne sete FIIs de papel que combinam dividend yield acima de 16% com P/VP inferior a 1 vez. Na prática, isso significa que as cotas são negociadas no mercado por valores inferiores ao patrimônio líquido por cota, embora o indicador, isoladamente, não determine se um fundo está barato ou caro.

O ranking é liderado pelo RZAK11, com dividend yield de 16,81% e P/VP de 0,87 vez. O fundo distribuiu R$ 1,05 por cota em agosto, enquanto o resultado líquido do período ficou em R$ 8,12 milhões. A distribuição acima do resultado mensal reduziu parte da reserva acumulada, que ficou em R$ 0,15 por cota.

Na sequência aparece o MCRE11, com dividend yield de 16,75% e P/VP de 0,78 vez. O fundo registrou forte alta do resultado em agosto, para R$ 16,5 milhões, impulsionada principalmente pelo efeito caixa da inflação acumulada em dois ativos de crédito. Apesar do aumento do resultado, a distribuição permaneceu em R$ 0,10 por cota.

https://files.sunoresearch.com.br/gaia/uploads/2026/01/1180x300-1.jpg

O EXES11 ocupa a terceira posição, com DY de 16,58% e P/VP de 0,97 vez. Entre os movimentos recentes, o fundo encerrou uma oferta pública secundária de aproximadamente R$ 56 milhões. Como a operação envolve cotas já existentes, não houve emissão de novas cotas para o fundo.

Já o RBHG11 apresenta dividend yield de 16,56% e P/VP de apenas 0,67 vez, o menor múltiplo patrimonial da lista. Em setembro, o fundo distribuiu R$ 0,78 por cota, enquanto seu valor patrimonial por cota estava acima do preço observado no mercado.

RBRY11, ALZC11 e ITIP11 completam lista

Com DY de 16,41% e P/VP de 0,81 vez, o RBRY11 também aparece entre os FIIs de papel com maior rendimento. Em agosto, o resultado distribuível chegou a R$ 1,18 por cota, mas a distribuição foi mantida em R$ 1,00, permitindo a formação de uma reserva de resultados.

O ALZC11, por sua vez, apresenta dividend yield de 16,35% e P/VP de 0,81 vez. O fundo concluiu recentemente uma quarta emissão de cotas que movimentou aproximadamente R$ 82,9 milhões. No período, distribuiu R$ 0,09 por cota, dentro da faixa de R$ 0,09 a R$ 0,10 indicada pela gestão.

Fechando o levantamento, o ITIP11 aparece com DY de 16,23% e P/VP de 0,83 vez. O fundo, porém, passa por um processo diferente dos demais: está em processo de dissolução e liquidação, com previsão de alienação dos ativos e posterior conversão em cotas do Inter Hedge FII (INHF11). Em agosto, distribuiu R$ 0,92 por cota.

https://files.sunoresearch.com.br/gaia/uploads/2026/01/Banner-Materias-01-Dkp_-1420x240-1.png

Como a queda da Selic afeta os FIIs de papel?

Nos FIIs com maior exposição a CRIs indexados ao CDI, uma sequência de cortes da Selic tende a reduzir gradualmente a remuneração proporcionada pelo indexador. Isso acontece porque o CDI acompanha de perto a taxa básica de juros.

Guilherme Almeida, Head de Renda Fixa da Suno Research, explicou que esse movimento diminui o chamado “carrego” dos pós-fixados, embora tenha ponderado que os juros continuam em nível elevado.

“Se a gente olha para pós-fixado, o carrego vai ser menor. Mas, ainda assim, a gente está falando de um carrego interessante”, disse.

O cenário muda nos fundos com maior exposição ao IPCA. Nesses casos, a inflação também influencia diretamente a remuneração dos CRIs. Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, apontou na transmissão que ainda existem riscos inflacionários capazes de limitar a velocidade dos próximos cortes da Selic.

“Tem tanto risco no radar e tantas possíveis pressões para a inflação em que eu vejo que não há muita flexibilidade para o Banco Central cortar juros”, afirmou Sung.

https://files.sunoresearch.com.br/gaia/uploads/2026/01/DT-PS-HOME-DE-ARTIGOS-1420x240-ID_01_x1.jpg

Assim, mais importante do que uma única decisão do Copom é acompanhar a trajetória futura dos juros e da inflação, além de entender quais indexadores predominam na carteira de cada fundo.

Ainda vale a pena investir

Não existe uma resposta única baseada somente na mudança da Selic. Em análise anterior sobre o tema, Professor Marcos Baroni, Head de Fundos Imobiliários da Suno Research, já havia destacado que fundos indexados ao CDI possuem uma característica pós-fixada.

“Se ela [Selic] voltar a subir, ou voltar a cair, você terá um fundo que é pós-fixado, então não tem muito sentido eu responder se é melhor comprar agora, ou se é melhor esperar a taxa Selic cair”, explicou Baroni.

Além do indexador, outro ponto relevante é o risco de crédito. Almeida alertou que o período prolongado de juros elevados vem deteriorando métricas financeiras das empresas, o que reforça a importância da análise dos devedores.

Por isso, avaliar FIIs de papel exige olhar além do dividend yield. Diversificação da carteira, qualidade dos devedores, garantias, taxas contratadas e exposição a CDI ou IPCA ajudam a determinar o risco e o potencial de geração de renda de cada fundo.

Tags
Você investe bem em fiis? Um consultor Suno pode te mostrar caminhos que talvez você não conheça.
foto: Vinícius Alves
Vinícius Alves
Jornalista

Jornalista formado na Faculdade Cásper Líbero. Com passagens pela Agência Estado e Editora Globo.

últimas notícias