Os fundos imobiliários de recebíveis VRTA11 e VGIP11 apresentam estratégias concentradas em Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), mas têm diferenças na composição das carteiras, nos indexadores e nos indicadores de mercado.
Dados de relatórios do Itaú BBA mostram que os dois negociam abaixo do valor patrimonial e apresentam dividend yield anualizado de dois dígitos.
O VRTA11, gerido pela Fator, tem cotação de mercado de R$ 73,28 e valor patrimonial de R$ 1,29 bilhão. Já o VGIP11, da Valora, é negociado a R$ 77,79, com patrimônio líquido de R$ 1,07 bilhão. Apesar da diferença no tamanho dos fundos, ambos apresentam desconto em relação ao valor patrimonial.
Pelo indicador preço sobre valor patrimonial (P/VP), o VRTA11 está em 0,88, enquanto o VGIP11 registra 0,86. Na prática, isso significa que as cotas são negociadas por cerca de 88% e 86% de seus respectivos valores patrimoniais, respectivamente. Assim, o desconto é ligeiramente maior no VGIP11.
Quando o assunto são os rendimentos, o VGIP11 apresenta dividend yield anualizado de 17,9%, acima dos 13,9% registrados pelo VRTA11. Os números indicam uma remuneração proporcionalmente maior em relação ao preço de mercado no caso do fundo da Valora, embora o indicador passado não garanta a manutenção dos pagamentos futuros.
A diferença também aparece na exposição aos indexadores. O VRTA11 tem 86,1% da carteira de CRIs atrelada ao IPCA e 12,8% ao CDI. No VGIP11, a exposição ao IPCA chega a 99,4%, enquanto o IGP-M representa 0,6%. Portanto, os dois fundos têm forte exposição à inflação, mas o VGIP11 apresenta concentração ainda maior nesse indicador.
VRTA11 e VGIP11: como são as carteiras de crédito
O VRTA11 possui uma carteira de CRIs composta por 71 ativos, com baixa concentração individual: apenas dois representam mais de 4% da carteira investida. Considerando o ativo total, 87,6% estão alocados em CRIs, 8,8% em cotas de outros fundos imobiliários e o restante em caixa. O prazo médio de vencimento da carteira é de 4,52 anos.
A exposição setorial do VRTA11 é liderada pela construção civil, responsável por 32,5% dos devedores, seguida pelo setor de alimentos, com 9,7%, e por fundos imobiliários de papel, com 9,2%. Na parcela indexada ao IPCA, a taxa média indicada pelo relatório é de 10,78% ao ano; nos ativos atrelados ao CDI, a taxa média é de 2,87%.
Já o VGIP11 mantém 97,3% do patrimônio líquido investido em CRIs, distribuídos em 50 operações que somavam aproximadamente R$ 1,04 bilhão. Segundo o relatório gerencial de maio de 2026 reproduzido no material, todos os créditos estavam adimplentes naquele período. O prazo médio, medido pela duration, era de 3,5 anos.
Na distribuição por segmento, o shopping representa 26% da carteira do VGIP11, seguido por operações pulverizadas, com 19%, e pelo setor residencial, com 18%. A logística corresponde a 14%, enquanto operações de built to suit (BTS) representam 12%. Infraestrutura e outros segmentos respondem por 6% cada.
Dividendos: VGIP11 apresenta yield maior no levantamento
Na tabela de proventos do material do Itaú BBA, o VGIP11 distribuiu R$ 1,08 por cota em maio de 2026, com yield mensal de 1,34%, e R$ 1,16 em julho, equivalente a 1,42%. O VRTA11, por sua vez, manteve pagamentos de R$ 0,85 por cota de novembro de 2025 a junho de 2026, com yields mensais que variaram de 1,03% a 1,20% no período apresentado.
Os indicadores de desempenho também mostram diferenças. O VGIP11 registrava retorno de 4,6% no ano e de 6,2% em 12 meses. O VRTA11 apresentava retorno negativo de 4,2% no ano e positivo de 4,6% em 12 meses. Esses números correspondem ao recorte exibido nos relatórios e não necessariamente refletem o desempenho atual dos fundos.
Liquidez e custos
Os dois fundos apresentam liquidez no mercado secundário, mas os valores registrados no levantamento são diferentes. O VGIP11 tinha liquidez média de R$ 2,40 milhões por dia, considerando seis meses, enquanto o VRTA11 registrava R$ 1,91 milhão no mesmo indicador.
Em relação às taxas, ambos cobram taxa de administração de 1% ao ano. O VGIP11 também prevê taxa de performance de 20% sobre o IPCA acrescido da média do yield do índice IMAB5, conforme a descrição do relatório. Para o VRTA11, o material não indica cobrança de taxa de performance.
Em síntese, o VGIP11 se destaca no levantamento pelo maior dividend yield anualizado e pelo desconto patrimonial ligeiramente superior.
O VRTA11, por outro lado, apresenta maior número de ativos na carteira de CRIs e diversificação entre diferentes indexadores, com exposição também ao CDI. A decisão entre os dois exige considerar não apenas o rendimento, mas também a qualidade dos devedores, as garantias, os riscos de crédito e a capacidade de manutenção das distribuições.
Os indicadores e dados de carteira apresentados nesta comparação foram extraídos dos relatórios do Itaú BBA. As informações refletem as datas de referência de cada indicador e podem mudar com a atualização das carteiras e das cotações.


