CACR11 cai 13% na B3 e anuncia dividendos de R$ 1,16 após o pregão
O fundo imobiliário CACR11 (Cartesia Recebíveis Imobiliários) encerrou mais um dia de forte pressão na B3 nesta sexta-feira (21). As cotas terminaram o pregão a R$ 17, com queda de 13,01%, colocando o fundo imobiliário entre os destaques negativos da sessão. Somente depois do fechamento do mercado, o FII divulgou o valor dos dividendos que serão pagos aos cotistas.
O comunicado sobre os proventos foi divulgado após as 17h e, portanto, quando as negociações regulares na B3 já haviam terminado. Isso significa que a queda registrada nesta sexta-feira não pode ser apresentada como uma reação do mercado ao anúncio dos dividendos.
O CACR11 informou rendimento de R$ 1,16 por cota, com pagamento marcado para 28 de agosto de 2026. A data-base é esta sexta-feira, 21 de agosto, de modo que o pagamento considera os investidores titulares das cotas na data estabelecida pelo fundo.
Por que o CACR11 vai pagar R$ 1,16 por cota?
O rendimento anunciado está diretamente relacionado a uma disputa recente sobre a destinação dos resultados do fundo. O CACR11 apurou R$ 25,41 milhões pelo regime de caixa no primeiro semestre e havia distribuído R$ 18,57 milhões até então.
Agora, será feita uma distribuição adicional de R$ 5,61 milhões, equivalente a R$ 1,16 por cota. Segundo administradora e gestora, o montante leva a distribuição a aproximadamente 95,2% do resultado de caixa do semestre.
O pagamento decorre da decisão dos próprios cotistas. Em consulta formal encerrada em 17 de julho, investidores rejeitaram a proposta para permitir a não distribuição de, no mínimo, 95% dos resultados do primeiro semestre. A votação contou com participação equivalente a 16,16% das cotas emitidas: 9,44% reprovaram a proposta, enquanto 5,51% votaram pela aprovação.
A gestão defendia a manutenção dos recursos dentro do fundo para reforçar a liquidez, financiar o desenvolvimento de imóveis relacionados às operações da carteira e arcar com despesas extraordinárias.
FII atravessa período de forte volatilidade
A queda de 13,01% desta sexta-feira ocorre dentro de um período marcado por oscilações acentuadas do CACR11.
Em maio, as cotas sofreram uma das maiores desvalorizações recentes entre os FIIs negociados na Bolsa. O preço saiu de R$ 81,33 no encerramento de abril para R$ 23,97 em 29 de maio, uma queda de 70,53% no mês. Aquele movimento ocorreu em meio a uma sequência de acontecimentos envolvendo a carteira e os rendimentos do fundo.
O CACR11 ficou sem distribuir resultados referentes a abril, junho e julho. Em comunicado de 31 de julho, administradora e gestora confirmaram que também não haveria distribuição referente àquele mês.
O relatório gerencial de julho mostra a dimensão do desconto alcançado pelas cotas durante esse período. Ao fim daquele mês, o CACR11 apresentava cota patrimonial de R$ 102,16, enquanto a cota no mercado estava em R$ 15,75. O patrimônio líquido informado era de R$ 494,06 milhões.
A diferença não significa que a cota necessariamente deva convergir para o valor patrimonial, mas evidencia o descolamento entre o valor contábil dos ativos atribuído a cada cota e o preço pelo qual os investidores negociavam o FII na Bolsa.
Venda do CRI Helvetia reforçou caixa
A confirmação dos dividendos também ocorre depois de uma operação importante para a liquidez do CACR11. Em 13 de agosto, o fundo imobiliário concluiu a venda integral de sua posição no CRI Helvetia por R$ 23,5 milhões à vista.
Além desse valor, o acordo prevê participação do CACR11 em percentual do resultado futuro relacionado à recuperação do crédito. Segundo a gestão, a venda teve como objetivo monetizar o ativo e recompor a liquidez do fundo.
O próprio relatório gerencial de julho relacionou a entrada dos recursos da venda à capacidade de realizar a distribuição do saldo do resultado do primeiro semestre que estava retido por insuficiência de caixa.
Outro ponto acompanhado pelos investidores é a administração fiduciária. A BRL Trust formalizou em julho sua renúncia à função de administradora do CACR11. Pelas regras aplicáveis, a instituição permanece no cargo durante o processo de substituição, dentro dos prazos previstos, e o relatório de julho informou que a gestora estava em contato com duas instituições para assumir a função.
Da alta de quase 19% à queda de 13%
A queda desta sexta-feira interrompeu uma sequência de dois pregões de forte valorização do CACR11. Na quarta-feira (19), o fundo imobiliário liderou os ganhos entre os FIIs, com alta de 18,63%, encerrando a sessão cotado a R$ 17,00.
O movimento de recuperação continuou na quinta-feira (20). As cotas avançaram 11,65%, de R$ 17,00 para R$ 18,98. Com isso, considerando os fechamentos de quarta e quinta-feira, o CACR11 acumulou valorização de aproximadamente 32,4% em apenas dois pregões.
Nesta sexta-feira (21), porém, o movimento mudou de direção. Depois de abrir a R$ 19,23 e alcançar máxima de R$ 19,89, o CACR11 passou a cair com força ao longo da sessão. As cotas terminaram a R$ 16,51, na mínima do dia, com queda de 13,01% em relação aos R$ 18,98 da véspera.
Mesmo depois do tombo de sexta-feira, a cotação de R$ 16,51 ainda ficou cerca de 15,2% acima do preço anterior à disparada de quarta-feira, de aproximadamente R$ 14,33. A sequência evidencia a forte volatilidade que continua marcando as negociações do fundo em meio aos acontecimentos recentes envolvendo sua liquidez e sua carteira.
Foi somente depois do encerramento das negociações desta sexta-feira que o CACR11 confirmou o valor do novo rendimento: R$ 1,16 por cota, com data-base em 21 de agosto e pagamento previsto para 28 de agosto.