Falta de armazenagem no agro abre oportunidade; SNAG11 tem investimento no segmento
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) poderá contar com até R$ 100 milhões em 2027 para investimentos em unidades armazenadoras de grãos, em um movimento que evidencia a necessidade de ampliar a infraestrutura de estocagem diante do crescimento da produção agrícola brasileira.
A proposta orçamentária para 2027 prevê inicialmente R$ 50 milhões em recursos próprios da Conab para investimentos nas unidades armazenadoras. A companhia busca elevar esse montante para R$ 100 milhões por meio de uma parceria com a Itaipu Binacional.
O objetivo é ampliar a atuação da rede de armazenagem e dar suporte à formação de estoques públicos. Nas regiões onde não possui estruturas próprias, a Conab utiliza armazéns de terceiros, pagando pelo serviço de estocagem.
A discussão sobre armazenagem ganha dimensão em um cenário de expansão da produção agrícola. Dados da Conab mostram que, pela segunda safra consecutiva, a produção da primeira safra de grãos já supera a capacidade disponível de armazenamento, evidenciando um descompasso entre o volume produzido e a infraestrutura existente.
Falta de armazenagem abre espaço para investimentos no agro
A diferença entre o crescimento da produção e a expansão da infraestrutura ajuda a explicar o déficit de armazenagem enfrentado pelo país. Estimativas do setor apontam uma lacuna superior a 130 milhões de toneladas, o que aumenta a pressão sobre a logística durante os períodos de colheita.
A insuficiência de silos pode obrigar produtores a comercializar parte da produção logo após a colheita, justamente quando há maior oferta no mercado. Com menos espaço para estocar os grãos, o produtor perde parte da flexibilidade para escolher o melhor momento de venda.
É nesse gargalo que a armazenagem passa a aparecer também como uma oportunidade de investimento para veículos ligados ao agronegócio. Entre eles está o SNAG11, Fiagro da Suno Asset que mantém exposição a diferentes segmentos da cadeia produtiva.
Dados recentes do fundo mostram que a armazenagem representa cerca de 6,3% da carteira, enquanto a irrigação responde por aproximadamente 22,7%.
SNAG11 aposta em infraestrutura para acompanhar avanço do agro
A tese por trás da exposição à armazenagem está ligada justamente ao crescimento da produção agrícola brasileira. Quanto maior o volume produzido, maior tende a ser a necessidade de estruturas capazes de receber, conservar e movimentar os grãos após a colheita.
No caso do SNAG11, a armazenagem faz parte de uma estratégia mais ampla de investimentos em infraestrutura agrícola. A maior posição nesse segmento é a irrigação, que recebeu aproximadamente R$ 200 milhões após a quinta emissão de cotas e passou a representar cerca de 22,7% do patrimônio do fundo.
A lógica é investir em estruturas que contribuam para aumentar a produtividade e reduzir gargalos operacionais do campo. Além da armazenagem e da irrigação, o portfólio do SNAG11 possui exposição a revendas agrícolas, terras, café, sementes, laticínios e imóveis rurais.