Biocombustíveis podem crescer 70% até 2030; onde entra o SNFZ11?
A produção global de biocombustíveis pode crescer quase 70% até 2030 em relação aos níveis de 2025, movimento que pode elevar a demanda por matérias-primas agrícolas e pressionar pela expansão das áreas destinadas a culturas como soja, milho e cana-de-açúcar.
Um estudo estima que, caso as metas de mistura anunciadas por grandes produtores sejam integralmente implementadas, serão necessários 36 milhões de hectares adicionais para atender à demanda, cenário que coloca as terras produtivas no centro da expansão do mercado.
O levantamento foi elaborado pelo think tank britânico Chatham House em parceria com o Forest Stewardship Council (FSC). Brasil, China, Índia, Indonésia, Estados Unidos e União Europeia estão entre os mercados que propuseram ou adotaram metas mais elevadas de mistura de biocombustíveis, aumentando a necessidade de matérias-primas agrícolas.
No Brasil, a soja ocupa posição estratégica nesse movimento, especialmente pela utilização do óleo da oleaginosa na produção de biodiesel. A perspectiva de maior processamento doméstico da soja amplia a conexão entre a produção agrícola e a indústria de biocombustíveis, fortalecendo a demanda por uma cadeia que começa nas propriedades rurais.
É nesse ponto que o cenário global se conecta ao SNFZ11, Fiagro que investe diretamente em fazendas produtivas e as arrenda a produtores rurais. O fundo possui atualmente seis propriedades rurais, com 3.160 hectares, todas localizadas no Mato Grosso, um dos principais polos agrícolas do país.
A carteira está distribuída entre Gaúcha do Norte, Nova Lacerda e Paranatinga, e conta com 1.060 hectares irrigados. As propriedades são arrendadas à Jequitibá Agro, mantendo a estratégia de geração de receita por meio do uso produtivo das terras.
Demanda por biocombustíveis aumenta pressão sobre terras produtivas
A projeção de expansão dos biocombustíveis ganha relevância para o mercado agrícola porque grande parte dos combustíveis de primeira geração utiliza culturas que também fazem parte da cadeia de alimentos e ração animal. O estudo aponta que o avanço dessas culturas pode elevar a competição por terra, água e outros recursos utilizados na produção agrícola.
A estimativa de 36 milhões de hectares adicionais equivale aproximadamente ao território da Alemanha. Segundo os autores do estudo, o crescimento da demanda por matérias-primas pode ocorrer em ritmo superior à implementação de mecanismos de planejamento do uso da terra, certificação ambiental e fiscalização.
É nesse ambiente que estão as seis fazendas do SNFZ11. As três propriedades adquiridas mais recentemente — Panteão, Berrante e Guaraipós — ficam em Gaúcha do Norte e Nova Lacerda, enquanto as demais fazendas da carteira também estão no estado.
A expansão da carteira em 2026 elevou a exposição do fundo a imóveis rurais para aproximadamente R$ 306,8 milhões. Com as novas propriedades, o portfólio passou a reunir seis fazendas e três CRAs, combinando a exposição direta às terras com ativos de crédito do agronegócio.
Nesse cenário, o avanço projetado dos biocombustíveis não representa uma receita adicional direta para o SNFZ11, mas cria uma possível frente de demanda para as cadeias agrícolas às quais suas propriedades estão ligadas. A relação passa principalmente pela necessidade de matérias-primas e pelo uso econômico das terras.