O mercado de fundos imobiliários (FIIs) enfrenta uma forte onda de desvalorização nesta segunda-feira (26), primeiro pregão após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Por volta das 16h37 (horário de Brasília), o Índice de Fundos de Investimentos Imobiliários (IFIX) registrava queda de 6,04%, aos 3.749,41 pontos, em um movimento de vendas que também atinge o mercado de ações.
A turbulência é ainda mais intensa no Ibovespa. Às 16h39, o principal índice da Bolsa brasileira recuava 13,55%, aos 177.295 pontos, acumulando perda de 27.788 pontos em relação ao fechamento anterior.
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As quedas ocorrem em meio à reação dos investidores ao resultado do segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25). Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, derrotando o senador Flávio Bolsonaro (PL), que recebeu 48,21%.
O resultado contrariou as expectativas de parte dos participantes do mercado financeiro, que apostavam em uma mudança de governo. A reação envolve a revisão das expectativas para a política fiscal, a trajetória dos juros e o ambiente econômico brasileiro nos próximos anos.
Fundos imobiliários chegam a cair mais de 17%
Entre os fundos imobiliários que registravam as maiores perdas na parcial da tarde, o destaque negativo era o TGAR11 (TG Ativo Real), negociado a R$ 43,04, com desvalorização de 17,15%, equivalente a uma perda de R$ 8,91 por cota.
O fundo atua no segmento de investimentos imobiliários e possui exposição a operações de desenvolvimento, modalidade que envolve projetos em diferentes estágios de execução e comercialização.
Outro fundo pressionado era o PVBI11 (VBI Prime Properties), que recuava 14,22%, com suas cotas negociadas a R$ 66,30. A desvalorização correspondia a R$ 10,99 por cota.
O JSRE11 (JS Real Estate Multigestão) também figurava entre as maiores quedas da sessão. O fundo era negociado a R$ 62,01, após perder 13,16%, ou R$ 9,40 por cota.
Entre os demais fundos imobiliários, o VGHF11 (Valora Hedge) recuava 13,06%, o RCRB11 (Rio Bravo Renda Corporativa) caía 12,55%.
As desvalorizações mostram que a pressão vendedora não estava concentrada em apenas um segmento do mercado imobiliário. Fundos com diferentes estratégias de investimento eram atingidos pela volatilidade.
IFIX perde mais de 240 pontos em um único pregão
A queda do IFIX também chama atenção pela intensidade. Na parcial das 16h37, o índice acumulava perda de 241,16 pontos, equivalente a 6,04%. O indicador havia encerrado a sexta-feira (23) próximo dos 3.990 pontos, depois de uma sequência de valorização que levou o índice à região de suas máximas em 52 semanas.
Com o recuo desta segunda-feira, parte expressiva dessa valorização foi eliminada em poucas horas de negociação. O movimento ocorre simultaneamente à disparada dos juros futuros, que representam as taxas negociadas pelo mercado para diferentes prazos.
Para os fundos imobiliários, esse indicador é especialmente relevante porque influencia a comparação entre o retorno esperado das cotas e a remuneração oferecida pelos títulos de renda fixa.
Quando as taxas de juros sobem, os investidores podem exigir retornos maiores para manter recursos em ativos negociados na B3. Esse ajuste pode ocorrer por meio da queda das cotações, mesmo sem alterações imediatas nos imóveis, contratos de locação ou receitas dos fundos.
Isso significa que uma desvalorização expressiva das cotas não representa, necessariamente, uma redução proporcional no patrimônio imobiliário ou nos rendimentos distribuídos aos cotistas.
Bolsa aciona mecanismo de interrupção
A turbulência também provocou uma interrupção temporária das negociações na B3 durante a manhã. A Bolsa acionou o chamado circuit breaker, mecanismo que suspende as operações quando o Ibovespa registra determinadas quedas percentuais em relação ao fechamento anterior.
A primeira interrupção ocorreu após o índice atingir desvalorização de 10%, provocando uma paralisação de 30 minutos. Na retomada, a pressão sobre as ações continuou. O Ibovespa chegou a registrar queda superior a 17% durante a sessão, antes de reduzir parcialmente as perdas.
Na parcial das 16h39, o índice marcava 177.295 pontos, com recuo de 13,55%. A forte oscilação representa uma mudança significativa em relação ao comportamento observado nas semanas anteriores, quando o mercado brasileiro havia registrado valorização em meio às expectativas relacionadas à disputa presidencial.
O que explica a queda dos FIIs após a vitória de Lula?
A reação dos fundos imobiliários está inserida em um movimento mais amplo de reavaliação dos ativos brasileiros após o resultado eleitoral. Entre os fatores acompanhados pelos investidores estão as perspectivas para as contas públicas, a inflação, a política monetária e a trajetória dos juros.
A elevação das taxas futuras pode pressionar os preços dos fundos imobiliários porque aumenta a remuneração exigida pelos investidores para aplicar recursos nesses ativos.
O impacto, entretanto, não é uniforme. Fundos que investem diretamente em imóveis, como galpões logísticos, edifícios comerciais e shopping centers, possuem receitas vinculadas principalmente aos contratos de locação e às condições operacionais de seus empreendimentos.
Já os fundos de recebíveis imobiliários investem em instrumentos de crédito, como os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), cujas remunerações podem estar vinculadas ao CDI ou a índices de inflação. Por isso, mudanças nos juros podem afetar de maneiras distintas as receitas, os rendimentos e os preços das cotas.
Apesar da intensidade das perdas registradas nesta segunda-feira, os dados apresentados até o momento refletem oscilações de mercado, e não necessariamente alterações nos resultados operacionais dos fundos.
Mercado aguarda sinais sobre política econômica
A reação dos investidores à reeleição de Lula também coloca em evidência as expectativas para a condução da política econômica no próximo mandato. O comportamento dos juros futuros, do câmbio e das ações continuará sendo acompanhado pelo mercado, especialmente diante das discussões sobre política fiscal e equilíbrio das contas públicas.
Para os investidores em fundos imobiliários, a atenção se concentra na intensidade das oscilações das cotas e em eventuais mudanças nas perspectivas de rendimento.
O desempenho desta segunda-feira também evidencia a diferença entre o preço de negociação de um fundo imobiliário na Bolsa e os resultados efetivamente produzidos por seus ativos.
No caso do TGAR11, que liderava as perdas entre os fundos destacados no levantamento, a desvalorização de 17,15% representava uma queda expressiva no preço de mercado das cotas, mas não permite concluir, isoladamente, que tenha ocorrido uma redução equivalente no valor de seus investimentos imobiliários.
Os números desta reportagem são parciais e correspondem às cotações observadas entre 16h37 e 16h39 desta segunda-feira (26). Os percentuais e preços podem sofrer alterações até o encerramento das negociações.
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